Arquivo para Setembro 30th, 2007

Uma história

Domingo, 30/Setembro, 2007

Ao reler o último post, lembrei de uma história do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Um dia ele estava em Paris, viu um jardim no meio de uma rua e resolveu sentar no chão. Seu objetivo era ficar horas seguidas contemplando as flores.

Uma pessoa que morava em uma das casas próximas ao jardim achou o comportamento dele suspeito. E chamou a polícia. Minutos depois, um policial abordou Schopenhauer.

“Quem é o senhor?”, perguntou o policial.

“É isso o que estou querendo saber enquanto olho as flores”, disse Schopenhauer. “Se o senhor souber responder a esta pergunta, serei eternamente grato.”

Desculpem o momento filosófico e, digamos, meio fru-fru. Mas Paris é uma cidade inspiradora. Sensacional. E que convida à reflexão a cada esquina percorrida.

Paris

Domingo, 30/Setembro, 2007

Ir e voltar de Seul é uma tarefa cansativa. O vôo é dividido em dois e cada trecho demora, em média, umas 11 horas para ser cumprido. Uma “perna” normalmente vai à Europa ou aos Estados Unidos. E, de lá, você pega outro avião para chegar à Coréia. Isso significa que, de São Paulo a Seul, são pouco mais de 22 horas de viagem. Fora o fuso horário, de 12 horas a mais.

Punk.

Depois de um mês de uma experiência fantástica, chegou a hora de voltar. E eu estava justamente me preparando para essa maratona aérea. Com um misto de alívio, por voltar para casa, e cansaço - de ter de encarar tanto tempo na classe econômica. Mas uma coisa, um detalhezinho que pode parecer insignificante, me deixou animado: minha conexão era em Paris. Mais: ia demorar 8 horas entre um vôo em outro.

Em outras palavras: entre Seul e São Paulo, pude passar uma tarde inteira em Paris.

Cheguei no aeroporto Charles de Gaulle por volta da uma da tarde. Peguei o ônibus da Air France e fui direto para o Arco do Triunfo.

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De lá, andei até a Place de La Concorde, o Jardim das Tulherias e o Louvre.

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Ainda deu tempo de dar uma passadinha no Palais Royal.

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 O dia estava lindo, ensolarado, sem uma nuvem no céu e com a temperatura amena.

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Pessoas fazendo piquenique nas praças, dormindo nas cadeiras públicas… Em plena sexta-feira à tarde.

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Se existe uma coisa que os parisienses sabem fazer é curtir a vida.

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Com poucos euros você compra uma baguete, uma taça de vinho e, por alguns instantes, esquece do mundo.

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Precisa mais do que isso?

Queria apenas fazer uma ode à leve brisa que soprava em Paris naquela tarde -  me lembrando o nome deste blog o tempo todo. E aplaudir os parisienses por terem o privilégio de olhar para os lados e poder contemplar coisas tão especiais.