Arquivo para Novembro, 2007

Lugares bons para degustar um charuto

Segunda-feira, 26/Novembro, 2007

Por ocasião do meu post sobre os epicure sommeliers, o leitor Mario Garcia escreveu: “Seria interessante publicar sugestões de bares e restaurantes que aceitem o charuto e que tenham epicure sommeliers qualificados.” Eis que o meu amigo Cesar Adames, um mestre no assunto, montou uma listinha.

Em São Paulo:

  • Davidoff (Al. Lorena, nos Jardins)
  • Davidoff (Rua Normandia, em Moema)
  • Esch Café (Al. Lorena em frente ao restaurante Antiquarius, Jardins)
  • Hotel Renaissance (Al. Santos esq. com R. Haddock Lobo, no lobby bar e no Havana Club)
  • Lenat (shopping Iguatemi, Itaim)
  • Lenat (rua Oscar Freire esq. com R. Dr. Mello Alves, Jardins)
  • Premium Cigars – Av. Paulista (na galeria do cinema Gemini, bairro Cerqueira César)
  • Ranieri Pipes (Al. Lorena esq. R. Padre João Manuel, Jardins)
  • Roma Cigar Bar (ao lado do shopping Ibirapuera, Moema)
  • Tabacaria Lee (nos shoppings Higienópolis e Center Norte)
  • Tabacaria Roma (na Al. Santos, nos Jardins)

No Rio de Janeiro:

  • Esch Café – unidades no Centro e no Leblon

Essa listinha é para imprimir e guardar na carteira…

Obrigado, Cesar! Os leitores agradecem.

Dica de livro

Sexta-Feira, 23/Novembro, 2007

Ótimo livro na praça: 1000 Segredos dos Vinhos – O guia essencial para os amantes do vinho, da jornalista britânica Carolyn Hammond (314 páginas, R$ 34,90, Editora Novo Conceito).

O livro é estruturado como um guia, com 1000 dicas sobre vinhos. Cada dica é um “tema”, ou algo relevante para se falar sobre a bebida. A fórmula é ótima, pois torna a leitura fácil e agradável, e as dicas são preciosas, até mesmo para quem já conhece de vinho. Para quem não conhece muito, então, é uma pequena Bíblia.

Vale comprar, ler, guardar. E consultar, sempre que possível.

O “fator X” da Wine Spectator

Quarta-feira, 21/Novembro, 2007

Nada melhor do que comentários dos leitores. Sobre os critérios do ranking da WS, A. Bernarde escreveu: “me parecem bem satisfatórios: qualidade (representada pelos pontos), valor (representado pelo preço de lançamento do vinho), disponibilidade (representada pelo quantidade produzida ou importada) e também o que os editores chamam de fator X. Não existe uma fórmula, o ranking é definido pelos editores. Bem mais satisfatório do que considerar somente pontos, afinal do que vale saber que tal e tal vinho obtiveram 100 pontos, se o preço é inacessivel e o vinho é dificil de achar?”

Perfeita sua explicação para o entendimento do ranking, Bernarde. Mas o que me intriga é justamente esse tal de “fator X”… Ele poderia ser mais transparente. Como eu vou saber que ele não tem a ver com os produtores que anunciam na revista? Será que ele explica por que a região de Borgonha não está melhor representada na lista?

Acho que essas e outras perguntas deveriam ser respondidas… Todo ranking é subjetivo, mas uma lista que tem como pretensão ser a melhor do mundo, e se autoproclama a melhor referência internacional do setor, deveria ter critérios menos discutíveis… Enquanto isso não acontece, acho que ela deve ser olhada com atenção, para ver se há alguma novidade e conhecer vinhos de boa relação custo/benefício lá fora (porque no Brasil é aquela tristeza que conhecemos). Mas pára por aí.

Criticar a Wine Spectator é fácil, eu sei. Mas a culpa disso é da própria revista.

Os 100 da WS

Terça-feira, 20/Novembro, 2007

Bom, sobre o ranking dos top 100 da Wine Spectator (WS):

1. Só deu França,Itália, EUA e Austrália na lista dos top 10. O sul-americano mais bem classificado foi o argentino Catena Alta 2004, produzido pela Bodegas Catena Zapata. A WS deu 93 pontos para ele, que ficou na 23° posição.

2. Você leu certo: o champagne Krug safra 1996 recebeu 99 pontos da WS. Por que então ele não é o primeiro da lista? Por que a WS não escolhe o melhor apenas de acordo com a pontuação, mas sim com critérios subjetivos. Tanto que há vários vinhos entre os top 10 com 95 pontos. Como justificar a ordem com que eles foram rankeados? É preciso perguntar aos editores da Wine Spectator.

3. Os preços dos vinhos em dólar são de fazer qualquer brasileiro chorar… US$ 80 (ou cerca de R$ 136) por uma garrafa do Châteauneuf-du-Pape vencedor, o Clos des Papes 2005? É uma pechincha. Aqui ele custa umas três vezes isso. Lamentável.

4. Eu discordo de algumas avaliações… Só para ficar nos sul-americanos da lista: o Catena Alta é um ótimo vinho, mas não merece 93 pontos nem a pau. Talvez uns 90, no máximo. Nem o Viña Montes Syrah 2005, do Chile, merece os 92 que recebeu. MUITO MENOS o Alto Las Hormigas Malbec Reserva 2005 (que também ganhou 92, enquanto deveria ficar com uns 88). E quanto ao Santa Rita Medalla Real 2004 receber 91 pontos? Faz-me rir. É um belo vinho, mas não é para tanto. A WS viajou …

5. Por outro lado, concordo com outras coisas: a quarta colocação do Tignanello 2004, por exemplo, é mais do que justa. É um vinho de sonho. Assim como achei perfeita a classificação do Ornellaia em sétimo (apesar do preço exorbitante, foi um dos melhores vinhos que já tomei na vida). Aliás, muito legal da parte da WS em botar dois italianos na lista dos 10 primeiros. Principalmente porque, na minha opinião, os vinhos da Itália tendem a ser um pouco injustiçados em degustações especializadas. Como eles foram feitos para ser tomados com comida, e crescem quando isso acontece, quando estão sozinhos eles tendem a demonstrar menos complexidade e classe que muitos franceses de Bordeaux, por exemplo. E isso acaba influenciando os degustadores. De qualquer jeito, ponto pra Velha Bota pelas duas presenças no top 10. Fez bonito.

6. Pena que os vinhos americanos da lista não sejam acessíveis aos brasileiros. Como eu já escrevi aqui no blog, é quase impossível encontrar os vinhos dos EUA por aqui. Grotesco.

É isso, caros leitores. O que você acharam da lista? Podem meter a boca no trombone, para o bem e para o mal, aqui no blog.

Os 100 melhores da Wine Spectator

Terça-feira, 20/Novembro, 2007

A revista americana Wine Spectator publicou hoje a esperada lista dos 100 melhores vinhos de 2007.

Como eu já escrevi aqui neste blog, não se trata de um ranking absoluto, definitivo ou infalível, mas uma referência importante do mercado. Isso significa que vale a pena você ler e conhecer os vinhos listados. Mas só emitir a sua opinião depois que degustá-los. Daí, resta concordar ou não com as avaliações da revista.

Eis a lista dos 10 primeiros, com suas pontuações (de zero a 100) e o preço em dólar nos Estados Unidos:

1° -  Clos des Papes Châteauneuf-du-Pape 2005 – França – 98 pontos – US$ 80

2° -  Ridge Chardonnay Santa Cruz Mountains 2005 – EUA – 95 pontos – US$ 35

3° -  Le Vieux Donjon Châteauneuf-du-Pape 2005 – França – 95 pontos – US$ 49

4° -  Tignanello 2004 – Itália – 95 pontos – US$ 79

5° -  Two Hands Shiraz Barossa Valley Bella’s Garden 2005 – Austrália – 95 pontos – US$ 60

6° -  Château Léoville Las Cases St.-Julien 2004 – França – 95 pontos – US$ 90

7° -  Ornellaia Bolgheri Superiore 2004 – Itália – 97 pontos – US$ 150

8° -  Mollydooker Shiraz McLaren Vale Carnival of Love 2006 – Austrália – 95 pontos – US$ 80

9° -  Robert Mondavi Cabernet Sauvignon Napa Valley Reserve 2004 – EUA- 95 pontos – US$ 125

10° -  Krug Brut Champagne 1996 – França – 99 pontos – US$ 250

Para fazer o download da lista completa, clique aqui com o botão direito do mouse e escolha a opção “Salvar como”. No próximo post eu faço algumas considerações sobre a lista.

O melhor epicure sommelier do Brasil

Domingo, 18/Novembro, 2007

A edição deste ano do Concurso Brasileiro de Epicure Sommelier aconteceu durante o Prazeres da Mesa Ao Vivo, o já tradicional evento realizado pela revista homônima. Teve recorde de público e de participantes. Dez candidatos chegaram à fase final da competição. Cada um teve que responder a uma prova teórica, para testar seus conhecimentos sobre charutos, e realizar uma demonstração prática da execução do serviço.

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Na foto ao lado você pode ter uma boa idéia do que aconteceu. A concorrente Fernanda Ayoub faz a sugestão a um cliente e realiza todo o serviço do charuto (cortar, acender, entregar ao cliente, propor a harmonização com uma bebida e servi-la). Tudo sob os olhares atentos do cliente (o epicure sommelier Samuel Benseman, vencedor do concurso no ano passado) e do júri, formado por quatro pessoas - da esquerda para a direita: Ruimar de Oliveira, do Café Kahlúa, de Belo Horizonte, vencedor do concurso em 2005; Rodrigo Gorga, da tabacaria Lenat, vencedor do concurso em 2004; Lamberto Percussi, dono da Vinheria Percussi, um dos melhores restaurantes italianos de São Paulo; e eu.  

O julgamento não é fácil. Nós do júri temos que ficar atentos a tudo, como a postura dos candidatos, a precisão do corte, o fluxo da queima do charuto e a qualidade da harmonização sugerida, entre outros detalhes. E temos que fazer isso 10 vezes, para testar as harmonizações de cada participante.

Eis quais foram os competidores deste ano e suas sugestões de harmonização (por ordem alfabética).

1. Ana Paula Ferreira das Neves – Café Journal (SP). Charuto cubano Punch (tipo Punch-Punch) com whisky Chivas Regal 18 anos.juri-2.jpg

2. Arthur Avedissian – Tabacaria Premium Cigars (SP). Charuto baiano Damata Graduados com licor de cerveja Eisenbahn.

3. Camilo Poveda – Hotel Renaissance (SP). Charuto cubano Hoyo de Monterrey Epicure no.2 com rum Havana Club 5 anos.

4. Fernanda Ayoub – Senac (SP). Charuto cubano Cohiba Robusto e vinho do porto Graham’s 10 anos.

5. Gustavo de Pádua – Bar Genco 1492 (MG). Charuto cubano Romeo e Julieta Short Churchill e vinho de sobremesa grego Mavrodaphne de Patras.

6. Jessemon Gonçalves Porto – Tabacaria Roma (SP). Charuto baiano Angelina Especiales com rum jamaicano Appleton Estate VX.

7. Nelton Fagundes Santos – Adega do Mercado (MG). Charuto cubano partagas série P no.2 com amontillado Bodegas Rey Fernando de Castilla.

8. Francisco Paulo Macedo – Roma Cigar Bar (SP). Charuto cubano Vegas Robaina Robusto com cerveja belga Gulden Draak.

9. Renata Paschoal – Hotel Renaissance (SP). Charuto cubano Montecristo no.4 com rum Havana Club 7 anos.

10. Simone Vasconcelos – Esch Café (SP). Charuto cubano Partagas série D4 com calvados Pere Magloire.

Como você pode ver, as harmonizações foram interessantes… Eu gostei mais da 5 e da 8, pois eu não conhecia o vinho de sobremesa grego e nunca havia tomado a Gulden Draak. As combinações com os charutos foram supreendentes – e deliciosas.  

Após quase três horas de concurso, o vencedor foi o Arthur Avedissian, da tabacaria arthur1.jpgPremium Cigars (na foto ao lado). Em segundo lugar ficou a Fernanda Ayoub e, em terceiro, o Jessemon Porto. O Arthur teve o desempenho mais completo entre os concorrentes. Dominou a parte teórica, propôs uma bela combinação e, na parte prática, foi tecnicamente preciso. Além de ganhar um monte de bebidas e charutos como prêmio, o Arthur ganhou o direito de representar o Brasil no concurso mundial. Parabéns, Arthur. E boa sorte, pois em Cuba o bicho vai pegar.

Profissão: epicure sommelier

Sábado, 17/Novembro, 2007

Quando você vai a um restaurante, tem contato com uma série de profissionais que estão lá para tornar a sua noite agradável. O maître te conduz até a mesa e recomenda os pratos. O sommelier recomenda o vinho. O chef dá uma passadinha na mesa para saber se foi tudo bem. Perfeito. Mas imagine que você quer acender um charuto para encerrar a noite e fumá-lo junto com a bebida adequada. Quem vai te socorrer?

OK, você pode pensar que essa pergunta é descabida. Afinal, quantas pessoas se deparam com esse “problema”? Quantos gostam de fumar charuto? E quantos restaurantes permitem essa prática? Mais: se permitem, por que vão se importar em interferir no que você gosta de fumar e beber?

Bom, tenho algumas informações importantes para você que pensa desse jeito. Da mesma forma que acontece na Europa e nos Estados Unidos, acender um charuto está começando a se tornar um hábito freqüente em bares e restaurantes do Brasil. Há cada vez mais lojas vendendo charutos (são cerca de 200 só em São Paulo; eram menos de 100 no ano passado). Novos estabelecimentos “amigos do charuto” estão sendo abertos o tempo todo. Os mais antigos, já conhecidos dos charuteiros, não páram de crescer. E, diante disso, há cada vez mais pessoas fumando no país.

Parece que a explosão do consumo de vinhos e cervejas especiais fez com que os consumidores quisessem um “algo a mais”. E ele parece ser o charuto.

O fenômeno é tão sério que provocou o surgimento de uma nova profissão na praça: o epicure sommelier. É um profissional que trabalha em bares e restaurantes e cuja missão é  recomendar a harmonização de um charuto e de uma bebida para o cliente ter o máximo de prazer nessa combinação.

O epicure sommelier é uma figura já estabelecida nos Estados Unidos e na Europa. Em Cuba, a terra dos habanos, eles são verdadeiras celebridades.  Tanto que a Habanos S.A., a entidade que regula o mercado de charutos naquele país, promove um concurso anual para escolher qual é o melhor Habanosommelier do mundo. A competição acontece durante o Festival del Habano, o mais importante evento internacional sobre charutos do mundo, que acontece há nove anos. O atual campeão do concurso é o inglês Fabien Garrigues. Em 2006, a vencedora foi a espanhola Manuela Romeralo.

O próximo concurso de Habanosommelier acontecerá no primeiro trimestre de 2008. E, assim como aconteceu nos últimos quatro anos, vai contar com a presença de um candidato brasileiro. Sim, você leu direito. O Brasil tem sua eliminatória regional do concurso internacional. O concurso é organizado pelo Cesar Adames. Como eu já escrevi neste blog, o Cesar é provavelmente o maior especialista brasileiro em charutos. É jurado da final mundial do Habanosommelier há tempos. E realiza um trabalho brilhante aqui no Brasil para divulgar o charuto e formar novos talentos na praça.

Tive o privilégio de ser jurado nas últimas três edições do Concurso Brasileiro de Epicure Sommelier. O nível dos profissionais vem subindo ao longo dos anos, assim como o número de participantes do concurso. A edição deste ano da peleja aconteceu outro dia em São Paulo. No próximo post você vai ficar sabendo de tudo o que rolou por lá.

A arte de fazer um grande vinho

Quinta-feira, 15/Novembro, 2007

Acabei de ler um livro interessante: “A arte de fazer um grande vinho”, do jornalista americano Edward Steinberg. Conta a história do produtor de vinhos Angelo Gaja (pronuncia-se Gaia), um dos maiores da Itália.

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O livro me despertou sentimentos controversos. Principalmente pela maneira como foi escrito. Se por um lado seu conteúdo é ótimo (porque a história de Gaja é fascinante), por outro ele poderia ter sido mais bem estruturado por Steinberg. O autor escreveu o livro em capítulos em ordem cronológica e eles não necessariamente têm coesão entre si. Respeito o estilo literário de cada um, mas, nesse caso, esse formato só atrapalha o leitor, que tem que ficar caçando uma “ordem” para entender a vida e a obra do Gaja. O melhor da história fica perdido no meio de cada capítulo.

Steinberg conta duas histórias de maneira entrelaçada: a fabricação do vinho Sori San Lorenzo 1989 e a trajetória do Angelo Gaja. São duas histórias muito interessantes. Gaja é possivelmente o maior nome da Itália, o produtor que colocou o país no mapa dos grandes vinhos, sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra, os dois grandes mercados consumidores da bebida. Ele transformou a região de Barbaresco, vizinha a Turim, no Piemonte, numa referência internacional. O vinho que é feito lá, que leva o mesmo nome, num dos mais cultuados do planeta. E ele próprio numa celebridade entre os enófilos.

O livro foi lançado no Brasil em 22 de outubro. É publicado aqui pela editora WMF Martins Fontes, tem 294 páginas e custa R$ 47,50. Mesmo com os problemas de estrutura editorial, vale a pena conferir. Nem que seja para ficar com mais vontade de ler uma história mais bem escrita sobre o Gaja. Ou, quem sabe, até comprar um de seus vinhos.

Blog bom na praça

Quarta-feira, 14/Novembro, 2007

Meu post sobre as cervejas Urthel rendeu um comentário interessante do meu amigo Ricardo Amorim, ex-editor de ÉPOCA Online e um apaixonado por cervejas. Seu blog, Cerveja Só, está entre os melhores do país sobre o tema. E já está na barra de links aqui do lado esquerdo.

Vá lá, eu não concordo muito com o slogan do Cerveja Só (“para quem não agüenta mais falar de vinho”)… Acho um pouco radical demais, pois eu adoro as duas coisas… Mas o Amorim é um profundo conhecedor das brejas e um ótimo jornalista, que adora uma discussão inteligente. Como o que falta em alguns blogs é justamente uma boa polêmica, acho que ele está certíssimo. Quanto mais a gente fomentar o debate sobre as coisas boas da vida na internet, mais interessante será a blogosfera.

Bom, chega de blá-blá-blá. Quando puder, dê uma passadinha no Cerveja Só. Vale a pena. 

Vinhos para o dia-a-dia

Terça-feira, 13/Novembro, 2007

Duas recomendações matadoras:

1. Uxmal, um vinho básico produzido pelo já lendário produtor argentino Nicolás Catena Zapata. Frutado, leve, delicioso para a sua proposta. E baratíssimo: com o dólar baixo, ele sai por cerca de R$ 18 a garrafa. Se puder, corra lá na importadora Mistral e compre uma caixinha.

 2. Finca Sophenia, outro argentino ótimo. Vá de malbec. É um pouco mais caro (cerca de R$ 50 a garrafa), mas vale ter em casa para quando você quiser tomar um belo vinho, gastar pouco e não correr riscos. É vendido pela Expand.

Cervejas com rolha

Segunda-feira, 12/Novembro, 2007

Incrível como a fronteira entre os vinhos e as cervejas está se tornando difusa.

Outro dia, junto com meu grande amigo Cesar Adames – o maior especialista em charutos do Brasil -, fui a uma degustação de cervejas especiais promovida pela importadora Bier & Wein. Cervejas especiais são aquelas que são diferentes daquelas que todo mundo bebe no bar. São produtos mais elaborados, complexos e que são apreciados, não virados goela abaixo. Como diria o Cesar, não dá para encher a cara com esse tipo de cerveja. O certo é degustá-las.  

Eis uma tendência do mercado de bebidas. Ninguém fala abertamente nesse assunto, mas o fato é que as grandes cervejarias estão se movendo com uma força assustadora para o segmento premium. Lá as margens de lucro são maiores e é possível fidelizar os consumidores com mais facilidade – justamente porque são apreciadores da bebida, não beberrões inveterados de qualquer coisa.

Quem diria: degustar cerveja está virando moda. O resultado disso é que as cervejarias pequenas, artesanais, estão sendo adquiridas pelas grandes. E as que sobrevivem o fazem a duras penas, principalmente fora de seu país de origem.

Isso também faz com que esse tipo de cerveja comece a competir com o vinho pelo paladar dos consumidores. Uma garrafa de uma boa cerveja premium é tão ou mais cara que uma de vinho. E você já deve ter visto um bocado de cervejas em garrafas de vinho com… rolha de vinho. É uma tendência.

Eu fui conferir de perto essas novidades na degustação da Bier & Wein, que aconteceu no bar Laus Special Beers – um reduto de apaixonados por cerveja comandado por um autêntico exemplar dessa estirpe, o Eder Laus. O bar bem que poderia ser chamado de um pedacinho do paraíso no meio da Chácara Santo Antônio. Se você trabalha perto da rua Verbo Divino, deveria fazer um happy-hour lá todos os dias. A variedade de cervejas é inacreditável e o atendimento do Eder é excelente.

Bom, a degustação aconteceu devido ao lançamento das cervejas holandesas Urthel, que acabaram de chegar ao Brasil. Não vou me deter aos detalhes técnicos da prova, porque o meu colega Edu Passarelli já fez isso muito melhor do que eu faria no seu excelente blog Edu Recomenda. (Além de ter um nome sensacional, o Edu é um profundo conhecedor do assunto. Tanto que seu blog acabou de merecer um link permanente aqui no meu, dê uma olhadinha do lado esquerdo. Depois você dá uma passadinha lá para conferir a parte técnica completa.) O fato é que as cervejas Urthel são deliciosas. Em especial a Hop-it, um belo exemplar das cervejas ricas em lúpulo.

Lúpulo? Isso, é aquela coisa do comercial mesmo: um dos quatro ingredientes da cerveja, junto com a água, o malte e a cevada. A única coisa é que nem sempre ele é feito em Hallertau na Alemanha… Bom, o lúpulo é uma planta que confere aroma e sabor à cerveja. Quanto mais lúpulo, mais aromática e saborosa é a brejinha. No caso da Hop-it, ela tem o sabor muito pronunciado e um aroma fantástico, que lembra tostado, caramelo, toffe e otras cositas más. Sensacional.

O preço das Urthel nos remete à discussão lá de cima: cada garrafa de 1 litro custa por volta de R$ 40. Vale? Vale. É a proposta dela. Como diria o Cesar, em vez de você tomar 12 latinhas de cerveja vendo futebol na TV, achando que cada time tem 30 jogadores, vai tomar duas garrafas de Urthel apreciando a cerveja e TAMBÉM o futebol. Parece ótimo.

De qualquer maneira, vale a pena prestar atenção nessa briga que se desenha pela sua garganta. Tome nota: cada vez mais as ocasiões de consumo vão se misturar. Antes você não pensava duas vezes antes de levar cerveja para a beira da piscina. Hoje, já leva um espumante, um vinho branco ou rosé. Ou uma cerveja especial. Eis algo para refletir…

Ótima pedida em Sampa

Domingo, 11/Novembro, 2007

Ontem à noite fui jantar num lugar surpreendente e delicioso: o AK Delicatessen. Ele tem esse nome porque 1) É uma delicatessen, adivinhão e 2) Pertence à jovem chef Andrea Kaufmann, uma das mais talentosas de sua geração.

O AK é um lugar interessante. É um minúsculo sobrado que fica em Higienópolis, na rua Mato Grosso. Se você gosta de gastronomia, vai lembrar que lá já funcionou, há algum tempo, o Ici Bistrô. Na parte de baixo fica a loja, com quitutes judaicos que podem ser levados para casa ou degustados lá mesmo, numa das mesinhas redondas disponíveis. Na parte de cima fica o restaurante, super bem arrumadinho e com aquele jeito aconchegante dos bistrôs.

Éramos três à mesa (eu, a Cris e a Ju, uma amiga nossa que mora nos EUA e estava matando a saudade do Brasil). Logo ficamos impressionados com o serviço impecável do AK. Os garçons nos orientaram para tudo, desde a escolha do espumante até o pedido dos pratos. Destaque para o sommelier Mauro, que deu dicas preciosas dos vinhos que tomamos. Fizemos o serviço completo. Para começar, um espumante da região de Franciacorta, na Itália, que estava uma delícia – mas que eu fiz questão de esquecer qual era. Bom… Depois fomos de Passo Doble safra 2004, o vinho resultante do projeto que o italiano Masi tem em Tupungato, na Argentina (trazido ao Brasil pela importadora Mistral). Ótima relação custo/benefício. Pagamos cerca de 90 reais por um vinho sério, suave e gostoso. No fim do jantar, fomos de um pout-pourri de vinhos de sobremesa: uma taça de um sauternes genérico, outra de tokaji e outra de um Viña Carmen late harvest.

Hã, não entendeu nada? Explico. Sauternes (pronuncia-se sôtérn) é uma região de Bordeaux, na França, que possui alguns dos melhores vinhos de sobremesa do mundo. Como a região é sinônimo dessa variedade, é costume chamar os vinhos produzidos em Sauterne de… sauterne. Já o tokaji (pronuncia-se tokai) é um tradicional vinho húngaro de sobremesa que está entre os melhores do mundo também. Ele tem diversos tipos. O que provamos é um Aszú, a mais conhecida e melhor variedade. Já o Viña Carmen é um vinho chileno. Late harvest significa que ele foi feito com uvas que foram colhidas tardiamente (late harvest significa colheita tardia, em inglês), o que dá a elas mais concentração de açúcar. Ou seja, elas ficam mais docinhas e se tornam matéria-prima dos vinhos de sobremesa.

Bom, falávamos do serviço do AK. Sim, impecável. E muito útil também na hora de escolher os pratos. Escolher a comida não é fácil, porque há várias opções que parecem muito interessantes. Os garçons (e a chef, que passou pelas mesas duas vezes) recomendaram direitinho. Começamos com uma degustação de varenikes, os pasteizinhos/raviolis de batata que são clássicos da culinária judaica. Estavam excepcionais. Depois eu fui de filet mignon com crosta de pistache e molho de cogumelos. Sensacional. Por fim, ainda pedimos uma degustação de sobremesas. Destaque para o pain perdu, a velha e boa rabanada, que estava de lamber os beiços. A conta foi justa: se você for com o(a) namorado(a) ao AK vai gastar, sem vinho, uns R$ 150 o casal. Vale cada centavo.

Parabéns, Andrea. Seu restaurante é show.

Wine Spectator

Sábado, 10/Novembro, 2007

Em tempo: minha opinião sobre o Parker é quase a mesma da que eu tenho sobre a revista americana Wine Spectator. Com uma diferença básica: eu acho as avaliações da WS, como a revista é conhecida, bem menos consistentes que as do Parker.

A WS é uma referência válida. É, assim como as notas do Parker, um critério para ajudar os consumidores a comprar. Mas eles andam pecando pela inconsistência. Fazem comparações meio descabidas, como forçar paralelos entre vinhos do Novo e do Velho Mundo, por exemplo. E já foram muito mais respeitados no mercado do que são hoje.

O que fazer? O mesmo que você deve fazer em relação às notas do Parker. Usar as avaliações da WS como REFERÊNCIA. Às vezes eles são brilhantes, em outras eles erram a mão. É do jogo, mas vale ficar atento.

Para completar, outras duas boas referências de avaliação são as revistas Decanter e Wine Enthusiast. Vale conferir. Os links estão logo ali, no menu do lado esquerdo.

Parker, o dono da bola

Sábado, 10/Novembro, 2007

Antes de mais nada, peço desculpas pela ausência. A última semana foi daquelas complicadas, sem tempo nem para um vinhozinho… Prometo que, a partir desta, não vou mais descuidar deste humilde blog.

Bom, eu prometi dar a minha opinião sobre o Robert Parker. Ei-la: acho ele uma figura fundamental no mundo do vinho. Sem ele, os vinhos que tomamos hoje talvez fossem piores. E o mercado seria com certeza muito mais sem graça.

Criticar o Parker virou moda. Para mim, é coisa daquele tipo de gente que está aprendendo a tomar vinhos, começou a tomar umas garrafinhas mais caras e, de tanta pose, acaba achando que pode criticar essa ou aquela pessoa. É um comportamento patético. Os críticos ferrenhos do Parker, na maioria dos casos, são de dois tipos: aqueles que querem buscar seus 15 minutos de fama e os produtores ruins, que não fazem nada para melhorar seu vinho.

ÓBVIO que as opiniões do Parker não podem ser sinônimo de unanimidade. Como qualquer ser humano, ele tem suas preferências pessoais. E todos são livres para concordar ou discordar dessas preferências. Parker, veja só, também erra (não sei se você sabe, mas ele também toma água, vai ao banheiro, come, dorme…). Mas o erro não é um conceito tão simples assim no mundo do vinho. O vinho não permite verdades absolutas, mas opiniões bem fundamentadas.

Já discordei das avaliações do Parker diversas vezes, mas eu gosto dele. Ele foi o primeiro crítico a mostrar as fragilidades de alguns produtores que tinham muito nome e pouca qualidade. É um cara sério, consistente e, até que provem o contrário, sem rabo preso com ninguém (o que é algo difícil de encontrar no mundo do vinho, em que muitos críticos recebem “presentes” das vinícolas).

Além disso, o critério de pontuação do Parker é uma referência aos consumidores. Repito: referência, não verdade absoluta. É apenas UM critério. Embora prático, não necessariamente é o melhor. Muitas vezes ele acerta na mosca, outras vezes você acha aquilo que ele escreveu um absurdo. Bom que seja assim. O ideal é que cada consumidor e apaixonado por vinhos defina seus próprios critérios. Isso vem com a chamada “litragem”. Quando maior a variedade de vinhos que você toma, mais facilmente descobre o que você gosta e o que não gosta. Sem precisar reclamar do Parker para isso…

The Wine Advocate

Sexta-Feira, 2/Novembro, 2007

Comecei a assinar o The Wine Advocate. Para quem não sabe, é a publicação que transformou o advogado americano Robert Parker no crítico de vinhos mais influente do mundo.

Formado em História e Direito, Parker trabalhou durante dez anos como advogado no banco Farm Credit, em Baltimore, nos Estados Unidos. Era um apaixonado por vinhos. Tanto que, em 1978, começou a escrever sobre os tintos e brancos que tomava, num folheto mensal que enviava aos amigos. No começo da década de 80, largou o emprego e decidiu transformar o folheto num jornal. Nascia o The Wine Advocate (O Advogado do Vinho).

A publicação se tornou um guia de referência para os consumidores americanos. E Parker se tornou uma estrela. Ele ganhou destaque ao avaliar a safra de 1982 dos vinhos da região de  Bordeaux, na França, como “soberba”. Foi uma opinião oposta à dos críticos franceses. Anos depois, abertas as garrafas, viu-se que Parker tinha razão. A partir daí, sua influência só aumentou.

Dá para notar isso só de ver o Wine Advocate. É, provavelmente, a publicação mais feia da história. É um catálogo em preto-e-branco, sem fotos, figuras, imagens ou ilustrações. É mais ou menos como uma lista telefônica, só que com páginas brancas.

O que vale, lá, não é a beleza. É o que está escrito.

Isso porque, nos anos 80, Parker criou um ranking de avaliação de vinhos que confere até 100 pontos a cada garrafa. Todos partem de 50 pontos. Se o vinho é médio ele ganha uns 80 pontos, se é melhorzinho leva uns 85, se é bom ganha de 86 a 89. E, se é bom meeesmo, ganha de 90 para cima. Esse sistema é considerado discutível, pois as notas de Parker são capazes de provocar a ruína de alguns produtores – ou de elevar o preço de seus vinhos às alturas.

Todo esse poder tornou Parker uma figura polêmica. Ele é odiado pelos críticos, que o acusam de provocar uma padronização dos vinhos em torno de seu gosto pessoal. E amado pelos fãs, principalmente os americanos, que praticamente aprenderam a tomar vinho lendo suas avaliações.

O que você acha dele? Já já eu escrevo minhas opiniões por aqui.