Archive for the 'Exótica' Category

Oito pratos

segunda-feira, 24/setembro, 2007

Para começar, uma entradinha show: uma julienne de broto de bambu com shitake e uma gelatina de ostras.

O jantar começou bem.

O segundo prato foi uma espécie de complemento do primeiro: três mini-panquecas coreanas. São deliciosas, delicadas e levíssimas. A base delas é arroz, sempre misturado com outro ingrediente. Nesse caso, uma era de camarão, outra de vegetais e outra e kimchi.

Depois veio um carpaccio simples, com acelga, molho de peixe e uns rolinhos de vegetais. Estava bom, mas não impressionou como os outros dois pratos. Além do mais, a última coisa que eu esperava num restaurante coreano era comer carpaccio…

Pós-“carpaccinho”, uma coisa muuuito boa: macarrão frito com vegetais, servido frio. Tinha tudo para ser horrível, mas os noodles estavam uma delícia, soltinhos e com a consistência perfeita. Outra coisa interessante é esse revezamento entre pratos frios e quentes. Os coreanos não seguem a tradição ocidental de servir primeiro os pratos frios e, depois, passar para os quentes. Aqui eles misturam tudo mesmo.

Depois do macarrão, veio o quart… quinto prato. O estômago já começava a dar sinais de estufamento, mas, como todo sertanejo é um bravo, fomos em frente.

Ops, quase ia esquecendo de falar do quinto prato. Ei-lo aí em cima. O que lhe parece? Bom, debaixo desse verdadeiro carnaval de vegetais (pepino, pimentão, vagem etc.), estão dois escalopinhos grelhados de boi. Falando francamente, eles meio que sobraram na refeição. Estavam gostosos, mas não fariam falta nenhuma.

Já o sexto prato…

Esse estava show. Fatias de porco grelhadas com molho agridoce e folhas de vegetais. E trouxeram, olha lá em cima, um pequeno kimchi para acompanhar. Eu já estava sentindo falta.

Por fim, o sétimo prato salgado: uma sopa com pedaços de peixe, arroz e vários kimchi. Sensacional. Como eu já disse nesse blog, os coreanos terminam as refeições mais nobres com arroz. E com peixe.

Por fim, uma sobremesa simples: sopinha de canela com frutas da estação.

Já estou com saudades desse banquete…

Culinária de potinhos

quinta-feira, 13/setembro, 2007

Para a sorte dos estrangeiros que passam por aqui, a culinária coreana não é só feita de arroz, sopa e kimchi. Esses três pratos são a base da gastronomia, mas são complementados por várias outras comidinhas em porções pequenas. São os famosos potinhos.

 saladinha1.jpg

Esses acima, por exemplo, são os primeiros potinhos da primeira refeição que fiz em Seul. Uma saladinha normal, molho de soja, ervas em tirinhas e um pouco de gengibre. Eles servem para você começar a comer enquanto o garçom não traz o arroz e o kimchi. A sopa fica para o final nesse caso, pois esses potinhos servem de entrada para um prato muito popular na Coréia: a sopa de joelho de vaca.

É, parece horrível. Mas até que é gostoso.

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Eis a sopinha. Ela vem com alguns pedaços de carne com osso, alho, cenoura, cerejas desidratadas e um molho picante.

Depois chega o arroz.

arrozinho.jpg

Bom, vamos recapitular. Se você pensa em visitar a Coréia ou já está por aqui, precisa saber algumas coisas importantes sobre a comida:

1. Você não vai comer cachorro (só se quiser).

2. Todas as suas refeições terão arroz, sopa e kimchi.

3. Todas as sopas (e a maioria dos pratos) são picantes.

4. Não existe entrada e prato principal. A refeição é composta de potinhos. E a regra é comer todos eles ao mesmo tempo. É assim que os coreanos fazem.

Sem cachorro

terça-feira, 11/setembro, 2007

O Boa Vida começa num lugar inusitado. Desde o fim de agosto, estou na Coréia do Sul, um dos países mais fascinantes que já conheci. Vou passar um mês aqui, numa “fellowship” para jornalistas da LG-Sangnam Press Foundation, uma fundação da Universidade Nacional de Seul (SNU).

Estou aqui há duas semanas. Posso dizer duas coisas sobre a culinária local:

1. A comida coreana é ótima.
2. Não, coreanos não comem cachorro.

Escrevo isso porque a primeira coisa que as pessoas dizem quando você fala que vai viajar para a Coréia é: “Noooossa, o que você vai comer? Vai passar fome? Beliscar um espetinho de poodle?”

E não é nada disso.

Cachorros são uma iguaria cada vez mais rara na Coréia. Encontrar um restaurante em Seul que venda esse prato, chamado de Bosintang (pronuncia-se “boshintang”, em coreano) é praticamente impossível. O costume de comer cachorro — na verdade é uma sopa de cachorro, com a carne ensopada num caldo quente com vegetais e especiarias — é restrito a algumas vilas do interior da Coréia. Só é praticado pelos mais velhos. E está fora de moda.

Segundo a tradição coreana, comer cachorro torna os homens mais viris. Vai saber… Mas o fato é que a Coréia é um país que está se internacionalizando, e comer cachorros é algo que não pega bem. Antes da Copa do Mundo de 2002, que aconteceu por aqui e no Japão, a Fifa fez um pedido formal para que o governo coreano tomasse providências contra o “abate cruel de cachorros”. Depois disso, o consumo da carne, que já vinha caindo, praticamente desapareceu.

Uma ressalva: os poucos coreanos que ainda comem cachorros não pegam os bichos na rua e os colocam na brasa. Cachorros “comestíveis” são criados especificamente para esse fim, em fazendas especializadas. Como os melhores bois que nós comemos quase todo dia. Sabe uma das raças bovinas de carne mais macia, a Red Angus? Existe um equivalente aqui na Coréia. É a raça Hwanggu, que é criada confinada e recebe alimentação específica, só com o propósito de ser abatida.

Bem, mas isso, como eu já falei, é raríssimo. No dogs here, OK?

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