Desejos

terça-feira, 23/outubro, 2007

Ontem eu trabalhei 12 horas seguidas. Cheguei em casa quase às dez da noite, destruído. O dia foi complicado no trabalho, daqueles recheados de reuniões intermináveis e discussões profundas sobre a terra, o mar, o aquecimento global e os deuses. Na última dessas reuniões, lá pelas 19h, eu só pensava em chegar em casa, jogar conversa fora com a namorada, ligar a TV para ser “assistido” por ela e… tomar uma tacinha de vinho.

Foi exatamente isso o que eu fiz, he he he.

Fiz uma coisa extremamente não recomendada: abri a porta da minha adega, fechei os olhos e saquei a primeira garrafinha que encontrei. Isso que é degustação às cegas… Minha adega está repleta de coisas boas, então fiquei com um certo receio de pegar um vinho muito caro ou que não estivesse na hora de abrir. Respirei fundo, abri os olhos e deixei o destino agir.

Eis que nas minhas mãos surge uma garrafa do Desejo safra 2004, o vinho top de linha da vinícola brasileira Salton.

desejo.jpg

Fiquei feliz com a escolha divina. Eu já havia provado várias vezes o Talento, mas ainda não havia me encontrado com o Desejo. Ele passa fácil por um vinho de qualidade sul-americano ou europeu.

É um vinho que surpreende pela austeridade. Eis uma palavra muito usada quando o vinho é daqueles que impõem respeito. A complexidade do Desejo começa na cor – ou no que os especialistas chamam de “exame visual”. O vinho é muito escuro. Sua cor é um roxo intenso e profundo. Tem tons de violeta, mas é quase negro. No nariz, o vinho libera aromas de frutas vermelhas maduras, tipo ameixa preta. Também tem madeira, já que o vinho passou vários meses envelhecendo em barricas de carvalho. E um leve toque de baunilha, proveniente do tipo de carvalho utilizado para o vinho amadurecer. Em tempo: quase a totalidade dos vinhos brasileiros descansa em barris de carvalho americano (feitos nos EUA), que normalmente dâo um tom de baunilha no aroma dos vinhos. Com o Desejo, não é diferente. (Obs: se o vinho tivesse envelhecido em barricas européias, o chamado carvalho francês, ele teria aromas mais “animais”. Falaremos disso em breve.)

Na boca, o paladar do Salton impressiona ainda mais. É um vinho encorpado, com muita estrutura e ótima acidez. Ainda pode ser guardado por alguns anos. Tudo indica que a criança envelhecerá com dignidade. Talvez seja melhor esperar um ou dois anos para ele alcançar a plenitude. Mas, se você abrir hoje, não vai se decepcionar.  

Enfim, um ótimo vinho. Correspondeu a todos os meus… desejos (desculpe, mas não resisti).

Sempre gosto de bater papo com o Ângelo Salton, o grande comandante da vinícola brasileira e o principal responsável pela virada que a empresa deu nos últimos tempos (falarei disso em breve aqui também). Ele sempre me disse que o Desejo era um vinho ótimo. Eu confesso que achava estranho a vinícola ter dois vinhos top (o Talento e o Desejo ficam na mesma categoria). Mas, depois que eu provei, percebi que o vinho realmente é muito bom. Parabéns ao Ângelo.

Hoje à noite quero ver se eu provo um Talento para comparar… Aguarde.

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