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Com esse calor, vá de vinho branco

terça-feira, 18/dezembro, 2007

Outro dia fomos ao ótimo Vinheria Percussi para uma degustação inusitada: vinhos brancos.

Pois é. A Vinheria é um dos melhores restaurantes italianos de São Paulo e é especialista em massas com molho vermelho. Mas nós quisemos inventar e pedimos ao Lamberto, o dono do restaurante, um menu com peixe. Na verdade, fomos “forçados” a isso. A idéia inicial da degustação era experimentar vinhos tintos de Bordeaux. Mas estava um calor infernal em São Paulo, então não tivemos saída a não ser trocar o tema por vinhos brancos.

Acertamos na mosca.

Muita gente tem preconceito com vinho branco. Acha que é uma categoria menor se comparada aos tintos. Que não tem muita complexidade e só serve para dar uma refrescadinha. Nada mais equivocado. Assim como os tintos, há brancos para todos os gostos. Dos mais leves e frutados aos mais complexos, que podem facilmente ser confundidos com tintos no sabor (prova disso é o Montrachet que eu provei outro dia, relembre nesse post aqui).

Provamos três vinhos no jantar da Vinheria: o chardonnay chileno Sol de Sol 2003, da vinícola Aquitania; o francês Clos du Papillon Domaines de Baumard 2002, feito com a uva chenin blanc; e o brasileiro Insólito, feito com a rara uva italiana peverella.

soldesol-1.gifBelos vinhos. O meu preferido foi o Sol de Sol. Alguém já disse que ele é o melhor vinho da América do Sul. Não sei. Também acho excelentes o Catena Alta Chardonnay e o Cuvée Alexandre Chardonnay, da Casa Lapostolle. Mas, sem dúvida, ele está à altura da fama. Um vinho muito aromático, jovem ainda (apesar da idade), acidez boa, muito frutado. Uma delícia. Não é um vinho barato (custa R$ 134 na importadora Zahil), mas vale cada centavo.

O segundo melhor da noite foi o Clos du Papillon. Feito no Vale do Loire, na França, é um vinho de guarda. Ainda está muito cru, deve evoluir bem por alguns anos. É um vinho que engana: decepciona no nariz, mas é muito bom no paladar.

Por fim, tomamos o vinho brasileiro. Intrigante. Ele é feito em Santa Catarina por um produtor muito pequeno, a Cave Ouvidor, de Santa Catarina. Já mostra a que veio pela cor: lembra um vinho do Porto ou madeira, com aquele aspecto envelhecido. No nariz é uma explosão de frutas, compotas, aromas minerais, tostados, de xarope… Muito complexo. O problema é na boca: ele não entrega o que promete na cor e nos aromas. É um vinho sem corpo, com pouca acidez e que não impressiona. Mas, de qualquer forma, vale pela experiência. Primeiro por se tratar de um vinho brasileiro de Santa Catarina. E, segundo, por ser feito com a uva peverella, uma autóctone italiana que é rara.

Mais uma vez, uma bela degustação. Fica a dica: nesse calor, a pedida é um branquinho gelado.

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