Archive for the 'Comida' Category

Ótima pedida em Sampa

domingo, 11/novembro, 2007

Ontem à noite fui jantar num lugar surpreendente e delicioso: o AK Delicatessen. Ele tem esse nome porque 1) É uma delicatessen, adivinhão e 2) Pertence à jovem chef Andrea Kaufmann, uma das mais talentosas de sua geração.

O AK é um lugar interessante. É um minúsculo sobrado que fica em Higienópolis, na rua Mato Grosso. Se você gosta de gastronomia, vai lembrar que lá já funcionou, há algum tempo, o Ici Bistrô. Na parte de baixo fica a loja, com quitutes judaicos que podem ser levados para casa ou degustados lá mesmo, numa das mesinhas redondas disponíveis. Na parte de cima fica o restaurante, super bem arrumadinho e com aquele jeito aconchegante dos bistrôs.

Éramos três à mesa (eu, a Cris e a Ju, uma amiga nossa que mora nos EUA e estava matando a saudade do Brasil). Logo ficamos impressionados com o serviço impecável do AK. Os garçons nos orientaram para tudo, desde a escolha do espumante até o pedido dos pratos. Destaque para o sommelier Mauro, que deu dicas preciosas dos vinhos que tomamos. Fizemos o serviço completo. Para começar, um espumante da região de Franciacorta, na Itália, que estava uma delícia – mas que eu fiz questão de esquecer qual era. Bom… Depois fomos de Passo Doble safra 2004, o vinho resultante do projeto que o italiano Masi tem em Tupungato, na Argentina (trazido ao Brasil pela importadora Mistral). Ótima relação custo/benefício. Pagamos cerca de 90 reais por um vinho sério, suave e gostoso. No fim do jantar, fomos de um pout-pourri de vinhos de sobremesa: uma taça de um sauternes genérico, outra de tokaji e outra de um Viña Carmen late harvest.

Hã, não entendeu nada? Explico. Sauternes (pronuncia-se sôtérn) é uma região de Bordeaux, na França, que possui alguns dos melhores vinhos de sobremesa do mundo. Como a região é sinônimo dessa variedade, é costume chamar os vinhos produzidos em Sauterne de… sauterne. Já o tokaji (pronuncia-se tokai) é um tradicional vinho húngaro de sobremesa que está entre os melhores do mundo também. Ele tem diversos tipos. O que provamos é um Aszú, a mais conhecida e melhor variedade. Já o Viña Carmen é um vinho chileno. Late harvest significa que ele foi feito com uvas que foram colhidas tardiamente (late harvest significa colheita tardia, em inglês), o que dá a elas mais concentração de açúcar. Ou seja, elas ficam mais docinhas e se tornam matéria-prima dos vinhos de sobremesa.

Bom, falávamos do serviço do AK. Sim, impecável. E muito útil também na hora de escolher os pratos. Escolher a comida não é fácil, porque há várias opções que parecem muito interessantes. Os garçons (e a chef, que passou pelas mesas duas vezes) recomendaram direitinho. Começamos com uma degustação de varenikes, os pasteizinhos/raviolis de batata que são clássicos da culinária judaica. Estavam excepcionais. Depois eu fui de filet mignon com crosta de pistache e molho de cogumelos. Sensacional. Por fim, ainda pedimos uma degustação de sobremesas. Destaque para o pain perdu, a velha e boa rabanada, que estava de lamber os beiços. A conta foi justa: se você for com o(a) namorado(a) ao AK vai gastar, sem vinho, uns R$ 150 o casal. Vale cada centavo.

Parabéns, Andrea. Seu restaurante é show.

Tesouro escondido

terça-feira, 16/outubro, 2007

Ontem fui almoçar num restaurante que eu não conhecia: o Sal Gastronomia. Fui levado pelo meu bom amigo Raul, que assim como eu é um entusiasta da boa vida  – e também escreve um blog ótimo sobre vinhos, vale a pena você dar uma olhada.

Eu não conhecia o lugar. O Sal fica totalmente fora do circuito gastronômico de São Paulo. Mais precisamente na rua Minas Gerais, bem no pedacinho em que ela dá acesso à avenida Doutor Arnaldo, na zona oeste. A rua é pouco acessada e o Sal é mais escondido ainda. Ele fica atrás de uma galeria de arte. Isso significa que, quando você chega no endereço, pára o carro e… não vê restaurante nenhum. Nenhuma fachada, sequer uma plaquinha. Para chegar lá, é preciso passar pelo muro da galeria (que serve também de estacionamento). No fim do muro, o restaurante fica do lado esquerdo.

A boa notícia é que todo esse trabalho vale a pena. O Sal é um segredo muito bem guardado. E valiosíssimo.

A boa impressão começa no visual. O restaurante é super arrumado e bonito. É pequeno, mas aconchegante. O dono do restaurante é o chef Henrique Fogaça. Ele já trabalhou com os chefs Laurent Suaudeau  e Alex Atala. E parece ter aprendido um bocado com eles. O menu do Sal é sofisticado e a comida é uma delícia.

Como eu já disse, eu e o Raul fomos lá na hora do almoço. As sugestões do chef eram duas: salmão em crosta de pistache com risoto de brie e lula à provençal com risoto de tomate e mussarela. O Raul pediu um e eu o outro. Estavam simplesmente fantásticos. Náo só a comida em si, mas também a apresentação dos pratos e o serviço. Impecável, sobretudo se você levar em consideração que estamos falando de um almoço de segunda-feira. O preço também é ótimo, uma média de R$ 35 o prato.

Se você gosta de comer bem e ser bem tratado num restaurante ótimo, e honesto, não deixe de dar uma passadinha no Sal. Você vai se surpreender. Eu com certeza voltarei lá. Quero ver se o Henrique mantém essa boa impressão também no jantar… A conferir em breve aqui no blog.

Oito pratos

segunda-feira, 24/setembro, 2007

Para começar, uma entradinha show: uma julienne de broto de bambu com shitake e uma gelatina de ostras.

O jantar começou bem.

O segundo prato foi uma espécie de complemento do primeiro: três mini-panquecas coreanas. São deliciosas, delicadas e levíssimas. A base delas é arroz, sempre misturado com outro ingrediente. Nesse caso, uma era de camarão, outra de vegetais e outra e kimchi.

Depois veio um carpaccio simples, com acelga, molho de peixe e uns rolinhos de vegetais. Estava bom, mas não impressionou como os outros dois pratos. Além do mais, a última coisa que eu esperava num restaurante coreano era comer carpaccio…

Pós-“carpaccinho”, uma coisa muuuito boa: macarrão frito com vegetais, servido frio. Tinha tudo para ser horrível, mas os noodles estavam uma delícia, soltinhos e com a consistência perfeita. Outra coisa interessante é esse revezamento entre pratos frios e quentes. Os coreanos não seguem a tradição ocidental de servir primeiro os pratos frios e, depois, passar para os quentes. Aqui eles misturam tudo mesmo.

Depois do macarrão, veio o quart… quinto prato. O estômago já começava a dar sinais de estufamento, mas, como todo sertanejo é um bravo, fomos em frente.

Ops, quase ia esquecendo de falar do quinto prato. Ei-lo aí em cima. O que lhe parece? Bom, debaixo desse verdadeiro carnaval de vegetais (pepino, pimentão, vagem etc.), estão dois escalopinhos grelhados de boi. Falando francamente, eles meio que sobraram na refeição. Estavam gostosos, mas não fariam falta nenhuma.

Já o sexto prato…

Esse estava show. Fatias de porco grelhadas com molho agridoce e folhas de vegetais. E trouxeram, olha lá em cima, um pequeno kimchi para acompanhar. Eu já estava sentindo falta.

Por fim, o sétimo prato salgado: uma sopa com pedaços de peixe, arroz e vários kimchi. Sensacional. Como eu já disse nesse blog, os coreanos terminam as refeições mais nobres com arroz. E com peixe.

Por fim, uma sobremesa simples: sopinha de canela com frutas da estação.

Já estou com saudades desse banquete…

Sashimi de verdade

terça-feira, 18/setembro, 2007

Estou em Busan, uma cidade praiana no sudeste da Coréia. A cidade tem a reputação de ter os melhores restaurantes especializados em frutos do mar de todo o país.

Eu, é claro, fui lá conferir.

Logo na porta do restaurante, uma agradável surpresa. Olha quem meu deu as boas-vindas:

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 Um aquário cheeeeeio de lagostas e caranguejos.

Do lado das lagostas, a equipe de “garçons” 

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Nem precisei olhar o menu para decidir o que comer.

Sentei na mesa e já começaram a chegar os potinhos (nesse caso, travessinhas).

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 Destaque para uma sopa de mexilhões que estava uma maravilha.

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Depois, uma travessa de sashimi – feito na hora, direto daqueles peixes que estavam no aquário.

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Depois chegaram os camarões…

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… e vieiras.

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O jantar está só começando. No próximo post, vou mostrar como os coreanos comem sashimi.

Do mar para o prato

segunda-feira, 17/setembro, 2007

Os coreanos têm uma ilha de veraneio. Chama-se Jeju e é muito, mas muito bonita. Em Jeju, a coisa mais legal de fazer é ir até a costa e conversar com as pescadoras da ilha.

Pesca, em Jeju, é coisa de mulher. A economia de Jeju, além do turismo, é movida por duas atividades: agricultura e pesca. Pela tradição, os homens ficam com as lavouras e as mulheres com o mar (e também cuidam das plantações de chá).

Essa tradição é centenária, mas está acabando. Se antes pescar era praticamente a única forma de ganhar a vida para as mulheres de Jeju, hoje as garotas mais jovens têm a oportunidade de ir a Seul estudar. Por isso, a média de idade das pescadoras de Jeju é em torno de 60 anos. A mais nova é uma celebridade na ilha: tem 48 anos.

A rotina dessas senhoras é extenuante. Elas acordam todos os dias as 4h30 da manhã e saem para pescar. Trabalham sem parar até o almoço e, depois, prosseguem até as três da tarde. Depois, armam barraquinhas na costa para vender seus produtos aos turistas.

Nem é preciso dizer que os peixes e frutos do mar são uma delícia, pois são extremamente frescos. Saíram do mar para a tábua, literalmente.

Elas também vendem peixes apanhados na hora. Esse abaixo se chama wooruck.peixesnahora.jpg

Ah, quase ia esquecendo

quinta-feira, 13/setembro, 2007

As refeições têm sobremesa!

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E elas são bem frugais. Essa aqui, por exemplo, é uma sopinha de laranja com canela.  Delícia. E sempre rola uma frutinha, especialmente melão, abacaxi e caqui.

Culinária de potinhos

quinta-feira, 13/setembro, 2007

Para a sorte dos estrangeiros que passam por aqui, a culinária coreana não é só feita de arroz, sopa e kimchi. Esses três pratos são a base da gastronomia, mas são complementados por várias outras comidinhas em porções pequenas. São os famosos potinhos.

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Esses acima, por exemplo, são os primeiros potinhos da primeira refeição que fiz em Seul. Uma saladinha normal, molho de soja, ervas em tirinhas e um pouco de gengibre. Eles servem para você começar a comer enquanto o garçom não traz o arroz e o kimchi. A sopa fica para o final nesse caso, pois esses potinhos servem de entrada para um prato muito popular na Coréia: a sopa de joelho de vaca.

É, parece horrível. Mas até que é gostoso.

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Eis a sopinha. Ela vem com alguns pedaços de carne com osso, alho, cenoura, cerejas desidratadas e um molho picante.

Depois chega o arroz.

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Bom, vamos recapitular. Se você pensa em visitar a Coréia ou já está por aqui, precisa saber algumas coisas importantes sobre a comida:

1. Você não vai comer cachorro (só se quiser).

2. Todas as suas refeições terão arroz, sopa e kimchi.

3. Todas as sopas (e a maioria dos pratos) são picantes.

4. Não existe entrada e prato principal. A refeição é composta de potinhos. E a regra é comer todos eles ao mesmo tempo. É assim que os coreanos fazem.

A comida na Coréia

quarta-feira, 12/setembro, 2007

Saudável. Eis uma boa palavra para definir a gastronomia coreana. Ninguém aqui come muito e é raro encontrar alguém muito acima do peso. Isso porque a base da culinária local é composta por vegetais e por pratos que vêm sempre em pequenas porções.

Uma refeição típica na Coréia do Sul é composta por três elementos fundamentais.

O primeiro deles é o kimchi.

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Trata-se do bom e velho repolho. Mas muito, muito condimentado. O kimchi está presente em todas as refeições da Coréia. O mais comum é justamente o da foto acima: só repolho com especiarias. Mas há outros tipos de kimchi, que vêm sempre em potinhos.

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No começo de cada refeição, o garçom vem e começa a botar os potinhos. No mínimo quatro. Às vezes, seis ou oito, dependendo da qualidade da refeição. Chega a assustar. Mas, quanto mais kimchi, mais chique. E mais variedade você tem à disposição na mesa.

O segundo prato básico da gastronomia coreana é a sopa.

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Sempre muito apimentada. Até mais que o kimchi. Na sopa, sempre vão alguns vegetais, cogumelos e alguns frutos do mar.

Para completar o triunvirato da culinária coreana, não poderia faltar o… arroz.

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Sempre rola um potinho de metal desses, com um arroz empapado, bem ao gosto de quem vive na Ásia.