Archive for the 'Vinho' Category

Com esse calor, vá de vinho branco

terça-feira, 18/dezembro, 2007

Outro dia fomos ao ótimo Vinheria Percussi para uma degustação inusitada: vinhos brancos.

Pois é. A Vinheria é um dos melhores restaurantes italianos de São Paulo e é especialista em massas com molho vermelho. Mas nós quisemos inventar e pedimos ao Lamberto, o dono do restaurante, um menu com peixe. Na verdade, fomos “forçados” a isso. A idéia inicial da degustação era experimentar vinhos tintos de Bordeaux. Mas estava um calor infernal em São Paulo, então não tivemos saída a não ser trocar o tema por vinhos brancos.

Acertamos na mosca.

Muita gente tem preconceito com vinho branco. Acha que é uma categoria menor se comparada aos tintos. Que não tem muita complexidade e só serve para dar uma refrescadinha. Nada mais equivocado. Assim como os tintos, há brancos para todos os gostos. Dos mais leves e frutados aos mais complexos, que podem facilmente ser confundidos com tintos no sabor (prova disso é o Montrachet que eu provei outro dia, relembre nesse post aqui).

Provamos três vinhos no jantar da Vinheria: o chardonnay chileno Sol de Sol 2003, da vinícola Aquitania; o francês Clos du Papillon Domaines de Baumard 2002, feito com a uva chenin blanc; e o brasileiro Insólito, feito com a rara uva italiana peverella.

soldesol-1.gifBelos vinhos. O meu preferido foi o Sol de Sol. Alguém já disse que ele é o melhor vinho da América do Sul. Não sei. Também acho excelentes o Catena Alta Chardonnay e o Cuvée Alexandre Chardonnay, da Casa Lapostolle. Mas, sem dúvida, ele está à altura da fama. Um vinho muito aromático, jovem ainda (apesar da idade), acidez boa, muito frutado. Uma delícia. Não é um vinho barato (custa R$ 134 na importadora Zahil), mas vale cada centavo.

O segundo melhor da noite foi o Clos du Papillon. Feito no Vale do Loire, na França, é um vinho de guarda. Ainda está muito cru, deve evoluir bem por alguns anos. É um vinho que engana: decepciona no nariz, mas é muito bom no paladar.

Por fim, tomamos o vinho brasileiro. Intrigante. Ele é feito em Santa Catarina por um produtor muito pequeno, a Cave Ouvidor, de Santa Catarina. Já mostra a que veio pela cor: lembra um vinho do Porto ou madeira, com aquele aspecto envelhecido. No nariz é uma explosão de frutas, compotas, aromas minerais, tostados, de xarope… Muito complexo. O problema é na boca: ele não entrega o que promete na cor e nos aromas. É um vinho sem corpo, com pouca acidez e que não impressiona. Mas, de qualquer forma, vale pela experiência. Primeiro por se tratar de um vinho brasileiro de Santa Catarina. E, segundo, por ser feito com a uva peverella, uma autóctone italiana que é rara.

Mais uma vez, uma bela degustação. Fica a dica: nesse calor, a pedida é um branquinho gelado.

Vinho bom do… Líbano

domingo, 16/dezembro, 2007

Essa é para quem gosta de uma coisinha diferente. Outro dia eu tomei um vinho libanês.

Roubada? Ledo engano. Se fosse numa degustação às cegas, eu juraria que se tratava de um legítimo Bordeaux.

O nome da criança é Château Musar. É o maior ícone do Líbano e um vinho delicioso. Tomamos a safra 1999. Estava ainda jovem, frutado e delicado. Bons aromas e ótima acidez. Para o meu gosto, só faltou um pouquinho de corpo (aquela sensação de “peso” e volume na boca), mas nada que prejudique muito o vinho.

 ch_rouge_large.jpg                                                                                                                                                                                                                           

O Château Musar é produzido no  Vale de Bekaa, uma das mais antigas regiões vinícolas do mundo. Ele é feito com um corte das uvas cabernet sauvignon (predominante) e cinzel, tem 14% de álcool e é uma boa pedida se você quiser impressionar alguém. Junto com o Château Kefraya, o Musar é o mais emblemático exemplar do Líbano, o que o torna um vinho exótico por definição.

Se você quiser experimentar uma garrafinha, pode comprá-lo na importadora Mistral. Não é um vinho barato: lá ele custa R$ 143. Mas vale a pena.

Caros, mas inesquecíveis

domingo, 2/dezembro, 2007

Preço é um tema complicado quando se fala dos vinhos da Borgonha. Principalmente se você não é rico.

Eu mencionei no post anterior que há milhares de produtores na Borgonha, uma região geográfica que é bem pequena. Isso faz com que eles produzam poucas quantidades dos vinhos. Eu também escrevi que existem milhares de comerciantes por lá. Pois bem, esses caras precisam garantir suas margens de lucro ao vender. Você que não é bobo já percebeu onde essa fórmula vai dar: preços altíssimos.

O problema é que os vinhos são muuuito bons. E aí acontece um grande dilema. Você fica maluco para comprar cada vez mais garrafas de vinhos da Borgonha. Mas, quando olha para o saldo da sua conta bancária, tem vontade de chorar. Principalmente se você for brasileiro. Se na própria Borgonha os preços já são altos, aqui no Brasil a brincadeira dos vinhos realmente bons da região começa na casa dos 200 reais.

Não, você não leu errado. COMEÇAM em 200 reais. E o céu é o limite.

Vamos aos vinhos da Domaine Jacques Prieur, degustados no evento promovido pela Casa do Porto na semana passada. O vinho mais simples da noite custou R$ 99: é o Clos Mathilde branco, safra 2004. Um vinho bom, mas nada memorável. É um bom caminho para quem quiser se iniciar na arte dos borgonhas sem gastar muito. Mas pára por aí.

O segundo vinho da lista foi um Mersault Clos de Mazeray, safra 2004 (também branco).  Muito bom. Aromas florais e de frutas cítricas. O aumento de qualidade é refletido no preço. Esse vinho custa 327 reais.

Terceiro vinho: Puligny-Montrachet les Combettes safra 2003. Vinho branco classificado como premier cru. Uma delícia. E nada menos que 546 reais a garrafa.

Vinho número 4: Beaune Champs-Pimont branco, ano 1999. Tem oito anos de vida, mas ainda vai longe. R$ 243.

Quinto vinho: Beaune Champs-Pimont tinto, safra 2002. Aromas minerais fortes e complexos, belo equilíbrio, ótimo. 254 reais.

Sexto vinho: Clos de Vougeot Grand Cru 2001, tinto. Excepcional. Aromas ainda mais complexos que o vinho anterior. Muito untuoso, lembra um xarope. R$ 527.

Sétimo vinho: Echezeaux Grand Cru 2001, tinto. Uma criança ainda: vale guardar na adega por vários anos. Agora está muito concentrado. É uma explosão de taninos, carvalho e aromas que lembram pimenta do reino. Sensacional. Pena que custa… R$ 891.

Penúltimo vinho: Musigny Grand Cru 2001, tinto. Eis um vinho intrigante. Muito macio e encorpado, mas com a sensação de que vai longe ainda. Os aromas são um show à parte: basta cheirá-lo para você dar um nó na sua cabeça. Espetacular. Custa R$ 1 255.

Último vinho: Montrachet Grand Cru 2001, branco. Branco? Sim, ele é tão complexo que ficou por último, para depois dos tintos. Se eu fizesse uma degustação às cegas, provavelmente diria que se tratava de um tinto… Isso dá uma idéia da força desse vinho. É possivelmente o melhor branco que já tomei. Muito encorpado. Você gira na taça e dá a impressão que ele tem mel, de tão untuoso. Aromas cítricos, florais, minerais e de trufas. Ele custa nada menos que R$ 2 800.

Vale a pena? Olha, alguns sim e outros não. Se eu tivesse condições, pagaria por três vinhos dessa lista: os três últimos. Diferentes de tudo o que eu já provei, intrigantes e que merecem ser tomados várias vezes. 

Borgonha é isso, caros leitores. Uma brincadeira interminável para os amantes de vinho. Uma brincadeira cara, muito cara. Mas inesquecível. 

O mundinho à parte da Borgonha

domingo, 2/dezembro, 2007

Outro dia fui convidado a participar de uma degustação dos vinhos da Domaine Jacques Prieur, um dos principais produtores da região da Borgonha, na França. Os vinhos começaram a ser trazidos para o Brasil pela importadora Casa do Porto, que chamou a nata dos jornalistas especializados para degustar as belezinhas. O evento aconteceu no meio do feriado, mas lotou. Pudera: foi inesquecível.

Confesso que, entre os vinhos da França, a região da Borgonha é a que eu menos conheço. Os especialistas costumam dizer que os vinhos da Borgonha são um mundo à parte, tanto em termos de sabor como de preço. É muito difícil acertar a compra de um Borgonha. Eles são caros e difíceis de encontrar fora da própria região. Para piorar, há milhares de produtores e comerciantes na Borgonha, o que torna a tarefa de encontrar uma garrafinha honesta ainda mais complicada. É muito fácil comprar vinhos ruins. Em compensação, quando você acerta, jamais vai esquecer o que tomou.

Os bons vinhos da Borgonha são diferentes de tudo o que você já provou. Não seguem o padrão de Bordeaux ou de outras regiões da França. Para começar, só há dois tipos de vinho produzidos na Borgonha: os tintos, feitos com a uva pinot noir, e os brancos, com a uva chardonnay. São, indiscutivelmente, os melhores dessas variedades feitos no mundo. Alguns dizem que são vinhos para “iniciados” na arte da degustação, pois os aromas e sabores são tão singulares que não têm comparação com nenhum outro tipo de vinho (ou região) do mundo.

Se você acha esse discurso um pouco intimidador, espere até saber mais sobre os preços dos borgonhas… Você vai entrar em pânico. Leia no próximo post.

Dica de livro

sexta-feira, 23/novembro, 2007

Ótimo livro na praça: 1000 Segredos dos Vinhos – O guia essencial para os amantes do vinho, da jornalista britânica Carolyn Hammond (314 páginas, R$ 34,90, Editora Novo Conceito).

O livro é estruturado como um guia, com 1000 dicas sobre vinhos. Cada dica é um “tema”, ou algo relevante para se falar sobre a bebida. A fórmula é ótima, pois torna a leitura fácil e agradável, e as dicas são preciosas, até mesmo para quem já conhece de vinho. Para quem não conhece muito, então, é uma pequena Bíblia.

Vale comprar, ler, guardar. E consultar, sempre que possível.

O “fator X” da Wine Spectator

quarta-feira, 21/novembro, 2007

Nada melhor do que comentários dos leitores. Sobre os critérios do ranking da WS, A. Bernarde escreveu: “me parecem bem satisfatórios: qualidade (representada pelos pontos), valor (representado pelo preço de lançamento do vinho), disponibilidade (representada pelo quantidade produzida ou importada) e também o que os editores chamam de fator X. Não existe uma fórmula, o ranking é definido pelos editores. Bem mais satisfatório do que considerar somente pontos, afinal do que vale saber que tal e tal vinho obtiveram 100 pontos, se o preço é inacessivel e o vinho é dificil de achar?”

Perfeita sua explicação para o entendimento do ranking, Bernarde. Mas o que me intriga é justamente esse tal de “fator X”… Ele poderia ser mais transparente. Como eu vou saber que ele não tem a ver com os produtores que anunciam na revista? Será que ele explica por que a região de Borgonha não está melhor representada na lista?

Acho que essas e outras perguntas deveriam ser respondidas… Todo ranking é subjetivo, mas uma lista que tem como pretensão ser a melhor do mundo, e se autoproclama a melhor referência internacional do setor, deveria ter critérios menos discutíveis… Enquanto isso não acontece, acho que ela deve ser olhada com atenção, para ver se há alguma novidade e conhecer vinhos de boa relação custo/benefício lá fora (porque no Brasil é aquela tristeza que conhecemos). Mas pára por aí.

Criticar a Wine Spectator é fácil, eu sei. Mas a culpa disso é da própria revista.

Os 100 da WS

terça-feira, 20/novembro, 2007

Bom, sobre o ranking dos top 100 da Wine Spectator (WS):

1. Só deu França,Itália, EUA e Austrália na lista dos top 10. O sul-americano mais bem classificado foi o argentino Catena Alta 2004, produzido pela Bodegas Catena Zapata. A WS deu 93 pontos para ele, que ficou na 23° posição.

2. Você leu certo: o champagne Krug safra 1996 recebeu 99 pontos da WS. Por que então ele não é o primeiro da lista? Por que a WS não escolhe o melhor apenas de acordo com a pontuação, mas sim com critérios subjetivos. Tanto que há vários vinhos entre os top 10 com 95 pontos. Como justificar a ordem com que eles foram rankeados? É preciso perguntar aos editores da Wine Spectator.

3. Os preços dos vinhos em dólar são de fazer qualquer brasileiro chorar… US$ 80 (ou cerca de R$ 136) por uma garrafa do Châteauneuf-du-Pape vencedor, o Clos des Papes 2005? É uma pechincha. Aqui ele custa umas três vezes isso. Lamentável.

4. Eu discordo de algumas avaliações… Só para ficar nos sul-americanos da lista: o Catena Alta é um ótimo vinho, mas não merece 93 pontos nem a pau. Talvez uns 90, no máximo. Nem o Viña Montes Syrah 2005, do Chile, merece os 92 que recebeu. MUITO MENOS o Alto Las Hormigas Malbec Reserva 2005 (que também ganhou 92, enquanto deveria ficar com uns 88). E quanto ao Santa Rita Medalla Real 2004 receber 91 pontos? Faz-me rir. É um belo vinho, mas não é para tanto. A WS viajou …

5. Por outro lado, concordo com outras coisas: a quarta colocação do Tignanello 2004, por exemplo, é mais do que justa. É um vinho de sonho. Assim como achei perfeita a classificação do Ornellaia em sétimo (apesar do preço exorbitante, foi um dos melhores vinhos que já tomei na vida). Aliás, muito legal da parte da WS em botar dois italianos na lista dos 10 primeiros. Principalmente porque, na minha opinião, os vinhos da Itália tendem a ser um pouco injustiçados em degustações especializadas. Como eles foram feitos para ser tomados com comida, e crescem quando isso acontece, quando estão sozinhos eles tendem a demonstrar menos complexidade e classe que muitos franceses de Bordeaux, por exemplo. E isso acaba influenciando os degustadores. De qualquer jeito, ponto pra Velha Bota pelas duas presenças no top 10. Fez bonito.

6. Pena que os vinhos americanos da lista não sejam acessíveis aos brasileiros. Como eu já escrevi aqui no blog, é quase impossível encontrar os vinhos dos EUA por aqui. Grotesco.

É isso, caros leitores. O que você acharam da lista? Podem meter a boca no trombone, para o bem e para o mal, aqui no blog.

Os 100 melhores da Wine Spectator

terça-feira, 20/novembro, 2007

A revista americana Wine Spectator publicou hoje a esperada lista dos 100 melhores vinhos de 2007.

Como eu já escrevi aqui neste blog, não se trata de um ranking absoluto, definitivo ou infalível, mas uma referência importante do mercado. Isso significa que vale a pena você ler e conhecer os vinhos listados. Mas só emitir a sua opinião depois que degustá-los. Daí, resta concordar ou não com as avaliações da revista.

Eis a lista dos 10 primeiros, com suas pontuações (de zero a 100) e o preço em dólar nos Estados Unidos:

1° –  Clos des Papes Châteauneuf-du-Pape 2005 – França – 98 pontos – US$ 80

2° –  Ridge Chardonnay Santa Cruz Mountains 2005 – EUA – 95 pontos – US$ 35

3° –  Le Vieux Donjon Châteauneuf-du-Pape 2005 – França – 95 pontos – US$ 49

4° –  Tignanello 2004 – Itália – 95 pontos – US$ 79

5° –  Two Hands Shiraz Barossa Valley Bella’s Garden 2005 – Austrália – 95 pontos – US$ 60

6° –  Château Léoville Las Cases St.-Julien 2004 – França – 95 pontos – US$ 90

7° –  Ornellaia Bolgheri Superiore 2004 – Itália – 97 pontos – US$ 150

8° –  Mollydooker Shiraz McLaren Vale Carnival of Love 2006 – Austrália – 95 pontos – US$ 80

9° –  Robert Mondavi Cabernet Sauvignon Napa Valley Reserve 2004 – EUA- 95 pontos – US$ 125

10° –  Krug Brut Champagne 1996 – França – 99 pontos – US$ 250

Para fazer o download da lista completa, clique aqui com o botão direito do mouse e escolha a opção “Salvar como”. No próximo post eu faço algumas considerações sobre a lista.

A arte de fazer um grande vinho

quinta-feira, 15/novembro, 2007

Acabei de ler um livro interessante: “A arte de fazer um grande vinho”, do jornalista americano Edward Steinberg. Conta a história do produtor de vinhos Angelo Gaja (pronuncia-se Gaia), um dos maiores da Itália.

arte_de_fazer_grande_vinho.jpg

O livro me despertou sentimentos controversos. Principalmente pela maneira como foi escrito. Se por um lado seu conteúdo é ótimo (porque a história de Gaja é fascinante), por outro ele poderia ter sido mais bem estruturado por Steinberg. O autor escreveu o livro em capítulos em ordem cronológica e eles não necessariamente têm coesão entre si. Respeito o estilo literário de cada um, mas, nesse caso, esse formato só atrapalha o leitor, que tem que ficar caçando uma “ordem” para entender a vida e a obra do Gaja. O melhor da história fica perdido no meio de cada capítulo.

Steinberg conta duas histórias de maneira entrelaçada: a fabricação do vinho Sori San Lorenzo 1989 e a trajetória do Angelo Gaja. São duas histórias muito interessantes. Gaja é possivelmente o maior nome da Itália, o produtor que colocou o país no mapa dos grandes vinhos, sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra, os dois grandes mercados consumidores da bebida. Ele transformou a região de Barbaresco, vizinha a Turim, no Piemonte, numa referência internacional. O vinho que é feito lá, que leva o mesmo nome, num dos mais cultuados do planeta. E ele próprio numa celebridade entre os enófilos.

O livro foi lançado no Brasil em 22 de outubro. É publicado aqui pela editora WMF Martins Fontes, tem 294 páginas e custa R$ 47,50. Mesmo com os problemas de estrutura editorial, vale a pena conferir. Nem que seja para ficar com mais vontade de ler uma história mais bem escrita sobre o Gaja. Ou, quem sabe, até comprar um de seus vinhos.

Vinhos para o dia-a-dia

terça-feira, 13/novembro, 2007

Duas recomendações matadoras:

1. Uxmal, um vinho básico produzido pelo já lendário produtor argentino Nicolás Catena Zapata. Frutado, leve, delicioso para a sua proposta. E baratíssimo: com o dólar baixo, ele sai por cerca de R$ 18 a garrafa. Se puder, corra lá na importadora Mistral e compre uma caixinha.

 2. Finca Sophenia, outro argentino ótimo. Vá de malbec. É um pouco mais caro (cerca de R$ 50 a garrafa), mas vale ter em casa para quando você quiser tomar um belo vinho, gastar pouco e não correr riscos. É vendido pela Expand.

Ótima pedida em Sampa

domingo, 11/novembro, 2007

Ontem à noite fui jantar num lugar surpreendente e delicioso: o AK Delicatessen. Ele tem esse nome porque 1) É uma delicatessen, adivinhão e 2) Pertence à jovem chef Andrea Kaufmann, uma das mais talentosas de sua geração.

O AK é um lugar interessante. É um minúsculo sobrado que fica em Higienópolis, na rua Mato Grosso. Se você gosta de gastronomia, vai lembrar que lá já funcionou, há algum tempo, o Ici Bistrô. Na parte de baixo fica a loja, com quitutes judaicos que podem ser levados para casa ou degustados lá mesmo, numa das mesinhas redondas disponíveis. Na parte de cima fica o restaurante, super bem arrumadinho e com aquele jeito aconchegante dos bistrôs.

Éramos três à mesa (eu, a Cris e a Ju, uma amiga nossa que mora nos EUA e estava matando a saudade do Brasil). Logo ficamos impressionados com o serviço impecável do AK. Os garçons nos orientaram para tudo, desde a escolha do espumante até o pedido dos pratos. Destaque para o sommelier Mauro, que deu dicas preciosas dos vinhos que tomamos. Fizemos o serviço completo. Para começar, um espumante da região de Franciacorta, na Itália, que estava uma delícia – mas que eu fiz questão de esquecer qual era. Bom… Depois fomos de Passo Doble safra 2004, o vinho resultante do projeto que o italiano Masi tem em Tupungato, na Argentina (trazido ao Brasil pela importadora Mistral). Ótima relação custo/benefício. Pagamos cerca de 90 reais por um vinho sério, suave e gostoso. No fim do jantar, fomos de um pout-pourri de vinhos de sobremesa: uma taça de um sauternes genérico, outra de tokaji e outra de um Viña Carmen late harvest.

Hã, não entendeu nada? Explico. Sauternes (pronuncia-se sôtérn) é uma região de Bordeaux, na França, que possui alguns dos melhores vinhos de sobremesa do mundo. Como a região é sinônimo dessa variedade, é costume chamar os vinhos produzidos em Sauterne de… sauterne. Já o tokaji (pronuncia-se tokai) é um tradicional vinho húngaro de sobremesa que está entre os melhores do mundo também. Ele tem diversos tipos. O que provamos é um Aszú, a mais conhecida e melhor variedade. Já o Viña Carmen é um vinho chileno. Late harvest significa que ele foi feito com uvas que foram colhidas tardiamente (late harvest significa colheita tardia, em inglês), o que dá a elas mais concentração de açúcar. Ou seja, elas ficam mais docinhas e se tornam matéria-prima dos vinhos de sobremesa.

Bom, falávamos do serviço do AK. Sim, impecável. E muito útil também na hora de escolher os pratos. Escolher a comida não é fácil, porque há várias opções que parecem muito interessantes. Os garçons (e a chef, que passou pelas mesas duas vezes) recomendaram direitinho. Começamos com uma degustação de varenikes, os pasteizinhos/raviolis de batata que são clássicos da culinária judaica. Estavam excepcionais. Depois eu fui de filet mignon com crosta de pistache e molho de cogumelos. Sensacional. Por fim, ainda pedimos uma degustação de sobremesas. Destaque para o pain perdu, a velha e boa rabanada, que estava de lamber os beiços. A conta foi justa: se você for com o(a) namorado(a) ao AK vai gastar, sem vinho, uns R$ 150 o casal. Vale cada centavo.

Parabéns, Andrea. Seu restaurante é show.

Americanos bons de copo

sexta-feira, 26/outubro, 2007

Vinho americano presta?

Eis uma dúvida freqüente dos consumidores brasileiros. A grande maioria acha que os americanos sabem mesmo é comer hambúrguer e tomar cerveja. Como os gringos não têm muita tradição vinícola, a tendência é acabar acreditando que os tintos e brancos deles são uma porcaria. Se não chega a tanto, pelo menos eles são bem piores que os sul-americanos ou europeus.

Esse é o pensamento comum, principalmente no Brasil. Sobretudo porque a oferta de vinhos americanos por aqui é muito, mas muito ruim. Poucas importadoras têm vinhos americanos em seus catálogos. E as que vendem, vendem caro. A triste realidade é que os vinhos americanos à venda no Brasil são raros e não valem a pena. Isso provoca um fenômeno curioso: muita gente que critica os vinhos dos EUA sequer tomou um golinho de um deles.

É uma pena. A verdade é que os vinhos americanos são ótimos. O canal é a costa oeste dos EUA: há excelentes exemplares de pinot noir no Oregon (perto da cidade de Portland, ao norte de Los Angeles) e fantásticos vinhos feitos com as uvas chardonnay e cabernet sauvignon na Califórnia, sobretudo na região do Napa Valley.

Nesta semana eu provei dois exemplares californianos. Dois cabernets feitos no Napa. Dois vinhos excepcionais.

O primeiro que eu abri foi um Sterling Vineyards Napa Valley Cabernet Sauvignon, safra 2003. Eu não conhecia o vinho. Quem me apresentou a ele, nos EUA, foi meu grande amigo Ricardo Cesar, autor do blog Carta de Vinhos, provavelmente o melhor blog do Brasil sobre o assunto. Estávamos viajando juntos a trabalho, na região do Vale do Silício (perto de San Francisco), e fomos ao supermercado procurar umas coisinhas para trazer ao Brasil.

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Dei sorte. O Sterling é coisa seriíssima. Recebeu 88 pontos da revista americana Wine Spectator, uma publicação reputada como guia confiável de compras. É uma pontuação alta, sobretudo se levarmos em conta que os vinhos dessa coleção, chamada Napa Valley, são considerados os de terceira categoria da vinícola. As coleções top do Sterling são os Reserva e os Single Vineyards.

Eu adorei o vinho. Encorpado, complexo, com muita estrutura e delicadeza. Assim como os grandes cabernets americanos, ele passa fácil como um grande vinho de Bordeaux. Maravilhoso.

No dia seguinte, empolgado com o desempenho do Sterling, abri outro vinho americano: um Robert Mondavi Winery Cabernet Sauvignon, safra 2004 (faça o download da ficha técnica da safra 2005 aqui).

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Também é um vinho ótimo, com muita estrutura e sabor. Mas eu achei um pouco pior que o Sterling. Menos elegante e menos pronto para tomar. Quem sabe daqui uns dois anos.

Enfim, questão de gosto. Mas o que importa é que os vinhos americanos deveriam ser tratados com mais respeito pelas importadoras. Os consumidores brasileiros perdem muito com a ausência dos gringos. O jeito é encomendar uma garrafinha para algum amigo que vá viajar para aquelas bandas. Definitivamente, vale a pena.

Mais uma dica

sexta-feira, 12/outubro, 2007

Esqueci de colocar no post anterior outra boa dica de vinho no free-shop: o Má Partilha 2001.

Fabricado pela casa portuguesa Bacalhôa Vinhos de Portugal (produtora do clássico Quinta da Bacalhôa), esse vinho é feito totalmente com a uva francesa merlot. Abri outro dia uma garrafa dele em casa. Está uma delícia. Pode ser tomado agora ou guardado por mais alguns anos. Combina bem com pratos de caça e queijos. E está com um preço ótimo: US$ 29 no duty free. Vale a pena.

Dicas do free-shop

quinta-feira, 11/outubro, 2007

Nesta semana fui fulminado por um amigo : “você ficou um mês fora e não tem nem uma dicazinha de vinho para nós”?

“Nem do free-shop?”

Ele tem razão. O free-shop do aeroporto de Guarulhos está com coisas muito interessantes à venda. Além de uma boa variedade de garrafas, os preços estão muito bons. Muito mais baratos do que nas importadoras. E extremamente atraentes por causa do dólar em baixa.

Eis quatro dicas para você considerar no free-shop:

Don Nicanor Syrah 2000 – Bodegas Nieto Senetiner – Argentina – US$ 11,50

Ótimo preço. O Don Nicanor é um vinho muito gostoso, que fica na zona intermediária entre os vinhos muito básicos e os top de linha. Ele combina perfeitamente com carnes. Por esse valor, vale comprar umas duas garrafinhas.

Beni de Batasiolo Langhe 1999 – Beni de Batasiolo – Itália – US$ 14

Outro vinho muito gostoso – e que está baratíssimo. Assim como todo vinho italiano, esse Langhe da Batasiolo cresce, e muito, quando acompanhado de um bom prato de comida. Experimente-o com alguma massa, polenta ou até mesmo um ragu de lingüiça ou de cordeiro. Sensacional.

Q Malbec 2004 – Família Zuccardi – Argentina – US$ 21

Outra ótima compra. Por aqui, nas importadoras, você encontra o Q mais ou menos por 100 reais. Ou seja, vale a pena encher o carrinho no aeroporto. É um vinho ótimo, bem típico da Argentina – ou seja, encorpado e com sabor marcante.

Cheval des Andes 2002 – Terrazas de Los Andes e Château Cheval Blanc – Argentina – US$ 88

Coisa seriíssima esse vinho. O Cheval de Andes é fruto de uma associação entre a bodega argentina Terrazas de Los Andes e o lendário Château Cheval Blanc, um dos grandes vinhos de Bordeaux. Ele é produzido no Vale do Uco, em Mendoza. Une o melhor do Novo e do Velho Mundo: a potência dos argentinos com a sofisticação dos franceses. É um vinho caro, é verdade. Mas pagar cerca de R$ 180 por uma garrafa de Cheval des Andes é uma pechincha. Normalmente ele custa por volta de R$ 300 nas lojas brasileiras. Dica: se possível, compre duas garrafas. Uma para tomar já e outra para guardar.

Coreanos não bebem Brunello

quinta-feira, 27/setembro, 2007

Os únicos vinhos que estavam em conta na Coréia eram os italianos. A vendedora da Wineara, See-Won, me explicou: coreanos não gostam de vinhos italianos. Eles os acham… fracos demais.

Então, tá.

See-Won (ou Shannon, nome “ocidental” que ela usa para clientes estrangeiros que vão à loja) me disse que os vinhos preferidos dos coreanos são realmente os chilenos e os autralianos, como eu havia suspeitado. O Novo Mundo domina por lá, principalmente devido à concentração dos vinhos. Vale lembrar: quanto mais potente, encorpado e alcoólico o vinho for, mais concentrado ele é. Como a maioria dos vinhos italianos é mais suave – e elegante -, eles acabam não fazendo a cabeça dos nossos amigos asiáticos.

Bom, azar o deles… Eu encontrei algumas preciosidades na Coréia. Com um preço bem em conta, sobretudo em comparação ao mercado brasileiro.

Um exemplo típico foi o Brunello de Montalcino CastelGiocondo. Na Wineara, ele custava US$ 105, o que dá mais ou menos R$ 200. No Brasil, uma garrafa custa por volta de R$ 500. Para confirmar, liguei na Terroir, a importadora paulista que vende esse vinho. A vendedora me informou que ele está com 50% de desconto. “Quanto?”, perguntei. “Com o desconto sai por R$ 262,50. Quer comprar?”

Não…

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Tudo bem: ainda é caro. Na Europa, por exemplo, você consegue achar esse vinho por cerca de 50 euros, ou R$ 131. Mas, mesmo assim, a diferença é grande em relação ao Brasil.

Outro exemplo foi o Barolo Pio Cesare. Lá ele era vendido por US$ 107, ou pouco mais de R$ 200. Aqui no Brasil, ele não custa menos que R$ 310.

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Ainda dei uma passadinha na seção de chilenos. Também vi algumas coisas interessantes, como o sensacional Domus Aurea por 80 dólares – aqui no Brasil, ele custa por volta de R$ 300. Ou um Don Melchor, safra 2001, por US$ 85.

Voltei feliz para casa.

O vinho na Coréia

quarta-feira, 26/setembro, 2007

Foram 31 dias na seca. Fazia tempo que eu não passava tanto tempo assim sem… tomar vinho.

Sequer uma tacinha…

Tinha ouvido falar que a Coréia era um bom lugar para comprar vinhos, sobretudo chilenos e australianos. Esses países aproveitam as rotas comerciais do Pacífico para exportar para a Ásia. Mas, em 31 dias de Coréia, eu não tinha visto nenhuma loja de vinho. É certo que eu não tive tempo de procurar direito, mas eu esperava achar alguma coisa dentro dos supermercados, por exemplo. Nada. Só vi algumas garrafas de tintos e brancos em alguns restaurantes dentro de hotéis. Que só permitiam o consumo no local.

Faltando dois dias para voltar ao Brasil, fiz uma última tentativa de encontrar uns vinhos para levar para casa. Fui ao COEX Mall, um dos maiores shoppings de Seul. Horas depois, nada. 

Voltei ao hotel, cabisbaixo. E, distraído, acabei errando o caminho. Foi quando me deparei com o cartaz abaixo:

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Só podia ser um sonho… É óbvio que eu não entendi uma palavra sequer do cartaz, mas não precisei.

Quem dera eu encontrasse uma loja de vinhos no caminho toda vez que virasse à esquerda em vez de à direita…

A loja chama-se Wineara. Bem sofisticada. E cara. Seoul, é bom que se diga, está entre as cidades com o custo de vida mais alto do mundo. Para quem ganha em wons, a moeda local, é difícil se manter na cidade. Mas ela é bem atraente para quem ganha em dólar. Para se ter uma idéia do câmbio, 1 dólar é igual a mais ou menos 1.000 wons. Um jornal custa 200 wons, ou o equivalente a 20 centavos de dólar. Uma garrafa de água custa 30 centavos de dólar. Uma passagem de ônibus, US$ 0,10.

Como eu estava com alguns dólares no bolso, pensei que faria a festa na loja de vinhos. Mas não foi bem assim. Havia muitos vinhos com preço semelhante ao encontrado no Brasil – ou seja, um absurdo de caro. Algumas garrafas eram até mais caras em Seoul do que em São Paulo. Um champagne Dom Pérignon, por exemplo, custava por lá 300 dólares. É mais do que no Brasil, onde uma garrafa custa por volta de 500 reais (ou até um pouco mais barato em algumas lojas).

Minha empolgação, rapidamente, se transformou em angústia. Eu queria levar umas garrafinhas, mas não esperava que fosse encontrar preços mais caros do que no Brasil…

Estava quase desistindo, quando me deparei com a ala de vinhos italianos.

E, aí, foi só alegria. Leia no próximo post.