Archive for the 'Vinhos' Category

O melhor do fim de 2007

quarta-feira, 2/janeiro, 2008

Depois de uma quente e ensolarada folga de verão no fim do ano passado, eis que o blog volta com a corda toda em 2008. Já não era sem tempo: há muita coisa a ser escrita.

Começo com o Natal. Assim como muita gente, eu e minha família participamos desde sempre de uma tradicional festa para celebrar o nascimento de Cristo. Normalmente ela é regada a vinhos brancos e tintos. De uns três anos para cá, devido provavelmente ao aquecimento global, mudamos para espumantes. Neste ano, mais uma inovação: fomos exclusivamente de cavas.

Ótima escolha. Minha impressão é que os espumantes espanhóis estão cada vez melhores. Refrescantes, frutados, ótimos em sua proposta de unir prazer e simplicidade. Os três tipos de cavas que tomamos no Natal –Freixenet brut e rosé (Diageo) e Monasteriolo (Expand) – cumpriram bem essa escrita. Na minha avaliação, são ótimas. E têm uma bela relação custo/benefício. Vale a pena conferir com os importadores.

A semana de folga entre o Natal e o Ano Novo serviu para desovar algumas coisinhas da adega. A mais surpreendente foi um vinho branco da região do Jura, na França, safra 1996 (!). Mais detalhes no próximo post.

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Com esse calor, vá de vinho branco

terça-feira, 18/dezembro, 2007

Outro dia fomos ao ótimo Vinheria Percussi para uma degustação inusitada: vinhos brancos.

Pois é. A Vinheria é um dos melhores restaurantes italianos de São Paulo e é especialista em massas com molho vermelho. Mas nós quisemos inventar e pedimos ao Lamberto, o dono do restaurante, um menu com peixe. Na verdade, fomos “forçados” a isso. A idéia inicial da degustação era experimentar vinhos tintos de Bordeaux. Mas estava um calor infernal em São Paulo, então não tivemos saída a não ser trocar o tema por vinhos brancos.

Acertamos na mosca.

Muita gente tem preconceito com vinho branco. Acha que é uma categoria menor se comparada aos tintos. Que não tem muita complexidade e só serve para dar uma refrescadinha. Nada mais equivocado. Assim como os tintos, há brancos para todos os gostos. Dos mais leves e frutados aos mais complexos, que podem facilmente ser confundidos com tintos no sabor (prova disso é o Montrachet que eu provei outro dia, relembre nesse post aqui).

Provamos três vinhos no jantar da Vinheria: o chardonnay chileno Sol de Sol 2003, da vinícola Aquitania; o francês Clos du Papillon Domaines de Baumard 2002, feito com a uva chenin blanc; e o brasileiro Insólito, feito com a rara uva italiana peverella.

soldesol-1.gifBelos vinhos. O meu preferido foi o Sol de Sol. Alguém já disse que ele é o melhor vinho da América do Sul. Não sei. Também acho excelentes o Catena Alta Chardonnay e o Cuvée Alexandre Chardonnay, da Casa Lapostolle. Mas, sem dúvida, ele está à altura da fama. Um vinho muito aromático, jovem ainda (apesar da idade), acidez boa, muito frutado. Uma delícia. Não é um vinho barato (custa R$ 134 na importadora Zahil), mas vale cada centavo.

O segundo melhor da noite foi o Clos du Papillon. Feito no Vale do Loire, na França, é um vinho de guarda. Ainda está muito cru, deve evoluir bem por alguns anos. É um vinho que engana: decepciona no nariz, mas é muito bom no paladar.

Por fim, tomamos o vinho brasileiro. Intrigante. Ele é feito em Santa Catarina por um produtor muito pequeno, a Cave Ouvidor, de Santa Catarina. Já mostra a que veio pela cor: lembra um vinho do Porto ou madeira, com aquele aspecto envelhecido. No nariz é uma explosão de frutas, compotas, aromas minerais, tostados, de xarope… Muito complexo. O problema é na boca: ele não entrega o que promete na cor e nos aromas. É um vinho sem corpo, com pouca acidez e que não impressiona. Mas, de qualquer forma, vale pela experiência. Primeiro por se tratar de um vinho brasileiro de Santa Catarina. E, segundo, por ser feito com a uva peverella, uma autóctone italiana que é rara.

Mais uma vez, uma bela degustação. Fica a dica: nesse calor, a pedida é um branquinho gelado.

Vinho bom do… Líbano

domingo, 16/dezembro, 2007

Essa é para quem gosta de uma coisinha diferente. Outro dia eu tomei um vinho libanês.

Roubada? Ledo engano. Se fosse numa degustação às cegas, eu juraria que se tratava de um legítimo Bordeaux.

O nome da criança é Château Musar. É o maior ícone do Líbano e um vinho delicioso. Tomamos a safra 1999. Estava ainda jovem, frutado e delicado. Bons aromas e ótima acidez. Para o meu gosto, só faltou um pouquinho de corpo (aquela sensação de “peso” e volume na boca), mas nada que prejudique muito o vinho.

 ch_rouge_large.jpg                                                                                                                                                                                                                           

O Château Musar é produzido no  Vale de Bekaa, uma das mais antigas regiões vinícolas do mundo. Ele é feito com um corte das uvas cabernet sauvignon (predominante) e cinzel, tem 14% de álcool e é uma boa pedida se você quiser impressionar alguém. Junto com o Château Kefraya, o Musar é o mais emblemático exemplar do Líbano, o que o torna um vinho exótico por definição.

Se você quiser experimentar uma garrafinha, pode comprá-lo na importadora Mistral. Não é um vinho barato: lá ele custa R$ 143. Mas vale a pena.

Caros, mas inesquecíveis

domingo, 2/dezembro, 2007

Preço é um tema complicado quando se fala dos vinhos da Borgonha. Principalmente se você não é rico.

Eu mencionei no post anterior que há milhares de produtores na Borgonha, uma região geográfica que é bem pequena. Isso faz com que eles produzam poucas quantidades dos vinhos. Eu também escrevi que existem milhares de comerciantes por lá. Pois bem, esses caras precisam garantir suas margens de lucro ao vender. Você que não é bobo já percebeu onde essa fórmula vai dar: preços altíssimos.

O problema é que os vinhos são muuuito bons. E aí acontece um grande dilema. Você fica maluco para comprar cada vez mais garrafas de vinhos da Borgonha. Mas, quando olha para o saldo da sua conta bancária, tem vontade de chorar. Principalmente se você for brasileiro. Se na própria Borgonha os preços já são altos, aqui no Brasil a brincadeira dos vinhos realmente bons da região começa na casa dos 200 reais.

Não, você não leu errado. COMEÇAM em 200 reais. E o céu é o limite.

Vamos aos vinhos da Domaine Jacques Prieur, degustados no evento promovido pela Casa do Porto na semana passada. O vinho mais simples da noite custou R$ 99: é o Clos Mathilde branco, safra 2004. Um vinho bom, mas nada memorável. É um bom caminho para quem quiser se iniciar na arte dos borgonhas sem gastar muito. Mas pára por aí.

O segundo vinho da lista foi um Mersault Clos de Mazeray, safra 2004 (também branco).  Muito bom. Aromas florais e de frutas cítricas. O aumento de qualidade é refletido no preço. Esse vinho custa 327 reais.

Terceiro vinho: Puligny-Montrachet les Combettes safra 2003. Vinho branco classificado como premier cru. Uma delícia. E nada menos que 546 reais a garrafa.

Vinho número 4: Beaune Champs-Pimont branco, ano 1999. Tem oito anos de vida, mas ainda vai longe. R$ 243.

Quinto vinho: Beaune Champs-Pimont tinto, safra 2002. Aromas minerais fortes e complexos, belo equilíbrio, ótimo. 254 reais.

Sexto vinho: Clos de Vougeot Grand Cru 2001, tinto. Excepcional. Aromas ainda mais complexos que o vinho anterior. Muito untuoso, lembra um xarope. R$ 527.

Sétimo vinho: Echezeaux Grand Cru 2001, tinto. Uma criança ainda: vale guardar na adega por vários anos. Agora está muito concentrado. É uma explosão de taninos, carvalho e aromas que lembram pimenta do reino. Sensacional. Pena que custa… R$ 891.

Penúltimo vinho: Musigny Grand Cru 2001, tinto. Eis um vinho intrigante. Muito macio e encorpado, mas com a sensação de que vai longe ainda. Os aromas são um show à parte: basta cheirá-lo para você dar um nó na sua cabeça. Espetacular. Custa R$ 1 255.

Último vinho: Montrachet Grand Cru 2001, branco. Branco? Sim, ele é tão complexo que ficou por último, para depois dos tintos. Se eu fizesse uma degustação às cegas, provavelmente diria que se tratava de um tinto… Isso dá uma idéia da força desse vinho. É possivelmente o melhor branco que já tomei. Muito encorpado. Você gira na taça e dá a impressão que ele tem mel, de tão untuoso. Aromas cítricos, florais, minerais e de trufas. Ele custa nada menos que R$ 2 800.

Vale a pena? Olha, alguns sim e outros não. Se eu tivesse condições, pagaria por três vinhos dessa lista: os três últimos. Diferentes de tudo o que eu já provei, intrigantes e que merecem ser tomados várias vezes. 

Borgonha é isso, caros leitores. Uma brincadeira interminável para os amantes de vinho. Uma brincadeira cara, muito cara. Mas inesquecível. 

O mundinho à parte da Borgonha

domingo, 2/dezembro, 2007

Outro dia fui convidado a participar de uma degustação dos vinhos da Domaine Jacques Prieur, um dos principais produtores da região da Borgonha, na França. Os vinhos começaram a ser trazidos para o Brasil pela importadora Casa do Porto, que chamou a nata dos jornalistas especializados para degustar as belezinhas. O evento aconteceu no meio do feriado, mas lotou. Pudera: foi inesquecível.

Confesso que, entre os vinhos da França, a região da Borgonha é a que eu menos conheço. Os especialistas costumam dizer que os vinhos da Borgonha são um mundo à parte, tanto em termos de sabor como de preço. É muito difícil acertar a compra de um Borgonha. Eles são caros e difíceis de encontrar fora da própria região. Para piorar, há milhares de produtores e comerciantes na Borgonha, o que torna a tarefa de encontrar uma garrafinha honesta ainda mais complicada. É muito fácil comprar vinhos ruins. Em compensação, quando você acerta, jamais vai esquecer o que tomou.

Os bons vinhos da Borgonha são diferentes de tudo o que você já provou. Não seguem o padrão de Bordeaux ou de outras regiões da França. Para começar, só há dois tipos de vinho produzidos na Borgonha: os tintos, feitos com a uva pinot noir, e os brancos, com a uva chardonnay. São, indiscutivelmente, os melhores dessas variedades feitos no mundo. Alguns dizem que são vinhos para “iniciados” na arte da degustação, pois os aromas e sabores são tão singulares que não têm comparação com nenhum outro tipo de vinho (ou região) do mundo.

Se você acha esse discurso um pouco intimidador, espere até saber mais sobre os preços dos borgonhas… Você vai entrar em pânico. Leia no próximo post.

Dica de livro

sexta-feira, 23/novembro, 2007

Ótimo livro na praça: 1000 Segredos dos Vinhos – O guia essencial para os amantes do vinho, da jornalista britânica Carolyn Hammond (314 páginas, R$ 34,90, Editora Novo Conceito).

O livro é estruturado como um guia, com 1000 dicas sobre vinhos. Cada dica é um “tema”, ou algo relevante para se falar sobre a bebida. A fórmula é ótima, pois torna a leitura fácil e agradável, e as dicas são preciosas, até mesmo para quem já conhece de vinho. Para quem não conhece muito, então, é uma pequena Bíblia.

Vale comprar, ler, guardar. E consultar, sempre que possível.

O “fator X” da Wine Spectator

quarta-feira, 21/novembro, 2007

Nada melhor do que comentários dos leitores. Sobre os critérios do ranking da WS, A. Bernarde escreveu: “me parecem bem satisfatórios: qualidade (representada pelos pontos), valor (representado pelo preço de lançamento do vinho), disponibilidade (representada pelo quantidade produzida ou importada) e também o que os editores chamam de fator X. Não existe uma fórmula, o ranking é definido pelos editores. Bem mais satisfatório do que considerar somente pontos, afinal do que vale saber que tal e tal vinho obtiveram 100 pontos, se o preço é inacessivel e o vinho é dificil de achar?”

Perfeita sua explicação para o entendimento do ranking, Bernarde. Mas o que me intriga é justamente esse tal de “fator X”… Ele poderia ser mais transparente. Como eu vou saber que ele não tem a ver com os produtores que anunciam na revista? Será que ele explica por que a região de Borgonha não está melhor representada na lista?

Acho que essas e outras perguntas deveriam ser respondidas… Todo ranking é subjetivo, mas uma lista que tem como pretensão ser a melhor do mundo, e se autoproclama a melhor referência internacional do setor, deveria ter critérios menos discutíveis… Enquanto isso não acontece, acho que ela deve ser olhada com atenção, para ver se há alguma novidade e conhecer vinhos de boa relação custo/benefício lá fora (porque no Brasil é aquela tristeza que conhecemos). Mas pára por aí.

Criticar a Wine Spectator é fácil, eu sei. Mas a culpa disso é da própria revista.

Os 100 da WS

terça-feira, 20/novembro, 2007

Bom, sobre o ranking dos top 100 da Wine Spectator (WS):

1. Só deu França,Itália, EUA e Austrália na lista dos top 10. O sul-americano mais bem classificado foi o argentino Catena Alta 2004, produzido pela Bodegas Catena Zapata. A WS deu 93 pontos para ele, que ficou na 23° posição.

2. Você leu certo: o champagne Krug safra 1996 recebeu 99 pontos da WS. Por que então ele não é o primeiro da lista? Por que a WS não escolhe o melhor apenas de acordo com a pontuação, mas sim com critérios subjetivos. Tanto que há vários vinhos entre os top 10 com 95 pontos. Como justificar a ordem com que eles foram rankeados? É preciso perguntar aos editores da Wine Spectator.

3. Os preços dos vinhos em dólar são de fazer qualquer brasileiro chorar… US$ 80 (ou cerca de R$ 136) por uma garrafa do Châteauneuf-du-Pape vencedor, o Clos des Papes 2005? É uma pechincha. Aqui ele custa umas três vezes isso. Lamentável.

4. Eu discordo de algumas avaliações… Só para ficar nos sul-americanos da lista: o Catena Alta é um ótimo vinho, mas não merece 93 pontos nem a pau. Talvez uns 90, no máximo. Nem o Viña Montes Syrah 2005, do Chile, merece os 92 que recebeu. MUITO MENOS o Alto Las Hormigas Malbec Reserva 2005 (que também ganhou 92, enquanto deveria ficar com uns 88). E quanto ao Santa Rita Medalla Real 2004 receber 91 pontos? Faz-me rir. É um belo vinho, mas não é para tanto. A WS viajou …

5. Por outro lado, concordo com outras coisas: a quarta colocação do Tignanello 2004, por exemplo, é mais do que justa. É um vinho de sonho. Assim como achei perfeita a classificação do Ornellaia em sétimo (apesar do preço exorbitante, foi um dos melhores vinhos que já tomei na vida). Aliás, muito legal da parte da WS em botar dois italianos na lista dos 10 primeiros. Principalmente porque, na minha opinião, os vinhos da Itália tendem a ser um pouco injustiçados em degustações especializadas. Como eles foram feitos para ser tomados com comida, e crescem quando isso acontece, quando estão sozinhos eles tendem a demonstrar menos complexidade e classe que muitos franceses de Bordeaux, por exemplo. E isso acaba influenciando os degustadores. De qualquer jeito, ponto pra Velha Bota pelas duas presenças no top 10. Fez bonito.

6. Pena que os vinhos americanos da lista não sejam acessíveis aos brasileiros. Como eu já escrevi aqui no blog, é quase impossível encontrar os vinhos dos EUA por aqui. Grotesco.

É isso, caros leitores. O que você acharam da lista? Podem meter a boca no trombone, para o bem e para o mal, aqui no blog.

Os 100 melhores da Wine Spectator

terça-feira, 20/novembro, 2007

A revista americana Wine Spectator publicou hoje a esperada lista dos 100 melhores vinhos de 2007.

Como eu já escrevi aqui neste blog, não se trata de um ranking absoluto, definitivo ou infalível, mas uma referência importante do mercado. Isso significa que vale a pena você ler e conhecer os vinhos listados. Mas só emitir a sua opinião depois que degustá-los. Daí, resta concordar ou não com as avaliações da revista.

Eis a lista dos 10 primeiros, com suas pontuações (de zero a 100) e o preço em dólar nos Estados Unidos:

1° –  Clos des Papes Châteauneuf-du-Pape 2005 – França – 98 pontos – US$ 80

2° –  Ridge Chardonnay Santa Cruz Mountains 2005 – EUA – 95 pontos – US$ 35

3° –  Le Vieux Donjon Châteauneuf-du-Pape 2005 – França – 95 pontos – US$ 49

4° –  Tignanello 2004 – Itália – 95 pontos – US$ 79

5° –  Two Hands Shiraz Barossa Valley Bella’s Garden 2005 – Austrália – 95 pontos – US$ 60

6° –  Château Léoville Las Cases St.-Julien 2004 – França – 95 pontos – US$ 90

7° –  Ornellaia Bolgheri Superiore 2004 – Itália – 97 pontos – US$ 150

8° –  Mollydooker Shiraz McLaren Vale Carnival of Love 2006 – Austrália – 95 pontos – US$ 80

9° –  Robert Mondavi Cabernet Sauvignon Napa Valley Reserve 2004 – EUA- 95 pontos – US$ 125

10° –  Krug Brut Champagne 1996 – França – 99 pontos – US$ 250

Para fazer o download da lista completa, clique aqui com o botão direito do mouse e escolha a opção “Salvar como”. No próximo post eu faço algumas considerações sobre a lista.

A arte de fazer um grande vinho

quinta-feira, 15/novembro, 2007

Acabei de ler um livro interessante: “A arte de fazer um grande vinho”, do jornalista americano Edward Steinberg. Conta a história do produtor de vinhos Angelo Gaja (pronuncia-se Gaia), um dos maiores da Itália.

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O livro me despertou sentimentos controversos. Principalmente pela maneira como foi escrito. Se por um lado seu conteúdo é ótimo (porque a história de Gaja é fascinante), por outro ele poderia ter sido mais bem estruturado por Steinberg. O autor escreveu o livro em capítulos em ordem cronológica e eles não necessariamente têm coesão entre si. Respeito o estilo literário de cada um, mas, nesse caso, esse formato só atrapalha o leitor, que tem que ficar caçando uma “ordem” para entender a vida e a obra do Gaja. O melhor da história fica perdido no meio de cada capítulo.

Steinberg conta duas histórias de maneira entrelaçada: a fabricação do vinho Sori San Lorenzo 1989 e a trajetória do Angelo Gaja. São duas histórias muito interessantes. Gaja é possivelmente o maior nome da Itália, o produtor que colocou o país no mapa dos grandes vinhos, sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra, os dois grandes mercados consumidores da bebida. Ele transformou a região de Barbaresco, vizinha a Turim, no Piemonte, numa referência internacional. O vinho que é feito lá, que leva o mesmo nome, num dos mais cultuados do planeta. E ele próprio numa celebridade entre os enófilos.

O livro foi lançado no Brasil em 22 de outubro. É publicado aqui pela editora WMF Martins Fontes, tem 294 páginas e custa R$ 47,50. Mesmo com os problemas de estrutura editorial, vale a pena conferir. Nem que seja para ficar com mais vontade de ler uma história mais bem escrita sobre o Gaja. Ou, quem sabe, até comprar um de seus vinhos.

Vinhos para o dia-a-dia

terça-feira, 13/novembro, 2007

Duas recomendações matadoras:

1. Uxmal, um vinho básico produzido pelo já lendário produtor argentino Nicolás Catena Zapata. Frutado, leve, delicioso para a sua proposta. E baratíssimo: com o dólar baixo, ele sai por cerca de R$ 18 a garrafa. Se puder, corra lá na importadora Mistral e compre uma caixinha.

 2. Finca Sophenia, outro argentino ótimo. Vá de malbec. É um pouco mais caro (cerca de R$ 50 a garrafa), mas vale ter em casa para quando você quiser tomar um belo vinho, gastar pouco e não correr riscos. É vendido pela Expand.

Wine Spectator

sábado, 10/novembro, 2007

Em tempo: minha opinião sobre o Parker é quase a mesma da que eu tenho sobre a revista americana Wine Spectator. Com uma diferença básica: eu acho as avaliações da WS, como a revista é conhecida, bem menos consistentes que as do Parker.

A WS é uma referência válida. É, assim como as notas do Parker, um critério para ajudar os consumidores a comprar. Mas eles andam pecando pela inconsistência. Fazem comparações meio descabidas, como forçar paralelos entre vinhos do Novo e do Velho Mundo, por exemplo. E já foram muito mais respeitados no mercado do que são hoje.

O que fazer? O mesmo que você deve fazer em relação às notas do Parker. Usar as avaliações da WS como REFERÊNCIA. Às vezes eles são brilhantes, em outras eles erram a mão. É do jogo, mas vale ficar atento.

Para completar, outras duas boas referências de avaliação são as revistas Decanter e Wine Enthusiast. Vale conferir. Os links estão logo ali, no menu do lado esquerdo.

Parker, o dono da bola

sábado, 10/novembro, 2007

Antes de mais nada, peço desculpas pela ausência. A última semana foi daquelas complicadas, sem tempo nem para um vinhozinho… Prometo que, a partir desta, não vou mais descuidar deste humilde blog.

Bom, eu prometi dar a minha opinião sobre o Robert Parker. Ei-la: acho ele uma figura fundamental no mundo do vinho. Sem ele, os vinhos que tomamos hoje talvez fossem piores. E o mercado seria com certeza muito mais sem graça.

Criticar o Parker virou moda. Para mim, é coisa daquele tipo de gente que está aprendendo a tomar vinhos, começou a tomar umas garrafinhas mais caras e, de tanta pose, acaba achando que pode criticar essa ou aquela pessoa. É um comportamento patético. Os críticos ferrenhos do Parker, na maioria dos casos, são de dois tipos: aqueles que querem buscar seus 15 minutos de fama e os produtores ruins, que não fazem nada para melhorar seu vinho.

ÓBVIO que as opiniões do Parker não podem ser sinônimo de unanimidade. Como qualquer ser humano, ele tem suas preferências pessoais. E todos são livres para concordar ou discordar dessas preferências. Parker, veja só, também erra (não sei se você sabe, mas ele também toma água, vai ao banheiro, come, dorme…). Mas o erro não é um conceito tão simples assim no mundo do vinho. O vinho não permite verdades absolutas, mas opiniões bem fundamentadas.

Já discordei das avaliações do Parker diversas vezes, mas eu gosto dele. Ele foi o primeiro crítico a mostrar as fragilidades de alguns produtores que tinham muito nome e pouca qualidade. É um cara sério, consistente e, até que provem o contrário, sem rabo preso com ninguém (o que é algo difícil de encontrar no mundo do vinho, em que muitos críticos recebem “presentes” das vinícolas).

Além disso, o critério de pontuação do Parker é uma referência aos consumidores. Repito: referência, não verdade absoluta. É apenas UM critério. Embora prático, não necessariamente é o melhor. Muitas vezes ele acerta na mosca, outras vezes você acha aquilo que ele escreveu um absurdo. Bom que seja assim. O ideal é que cada consumidor e apaixonado por vinhos defina seus próprios critérios. Isso vem com a chamada “litragem”. Quando maior a variedade de vinhos que você toma, mais facilmente descobre o que você gosta e o que não gosta. Sem precisar reclamar do Parker para isso…

The Wine Advocate

sexta-feira, 2/novembro, 2007

Comecei a assinar o The Wine Advocate. Para quem não sabe, é a publicação que transformou o advogado americano Robert Parker no crítico de vinhos mais influente do mundo.

Formado em História e Direito, Parker trabalhou durante dez anos como advogado no banco Farm Credit, em Baltimore, nos Estados Unidos. Era um apaixonado por vinhos. Tanto que, em 1978, começou a escrever sobre os tintos e brancos que tomava, num folheto mensal que enviava aos amigos. No começo da década de 80, largou o emprego e decidiu transformar o folheto num jornal. Nascia o The Wine Advocate (O Advogado do Vinho).

A publicação se tornou um guia de referência para os consumidores americanos. E Parker se tornou uma estrela. Ele ganhou destaque ao avaliar a safra de 1982 dos vinhos da região de  Bordeaux, na França, como “soberba”. Foi uma opinião oposta à dos críticos franceses. Anos depois, abertas as garrafas, viu-se que Parker tinha razão. A partir daí, sua influência só aumentou.

Dá para notar isso só de ver o Wine Advocate. É, provavelmente, a publicação mais feia da história. É um catálogo em preto-e-branco, sem fotos, figuras, imagens ou ilustrações. É mais ou menos como uma lista telefônica, só que com páginas brancas.

O que vale, lá, não é a beleza. É o que está escrito.

Isso porque, nos anos 80, Parker criou um ranking de avaliação de vinhos que confere até 100 pontos a cada garrafa. Todos partem de 50 pontos. Se o vinho é médio ele ganha uns 80 pontos, se é melhorzinho leva uns 85, se é bom ganha de 86 a 89. E, se é bom meeesmo, ganha de 90 para cima. Esse sistema é considerado discutível, pois as notas de Parker são capazes de provocar a ruína de alguns produtores – ou de elevar o preço de seus vinhos às alturas.

Todo esse poder tornou Parker uma figura polêmica. Ele é odiado pelos críticos, que o acusam de provocar uma padronização dos vinhos em torno de seu gosto pessoal. E amado pelos fãs, principalmente os americanos, que praticamente aprenderam a tomar vinho lendo suas avaliações.

O que você acha dele? Já já eu escrevo minhas opiniões por aqui.