Após o Collezione de Marchi, fomos ao Piemonte, terra dos fantásticos Barolo. Mais uma vez, começamos muito bem, com um Barolo Sperss 1991, produzido pelo ícone italiano Angelo Gaja.

Trata-se de um vinho espetacular. Com 16 anos de vida, o Sperss está no ponto para tomar. Mulheres diriam que ele está mais ou menos como um Sean Connery ou um Robert Redford da vida – ou seja, um coroa em boa forma. Homens diriam que ele é como a Susan Sarandon ou a Sharon Stone - uma mulher madura, mas ainda muito sexy. Enfim, o Sperss é um vinho com a potência e a complexidade dos barolos somadas à maturidade do envelhecimento na garrafa.
Simplesmente fanstástico.
Na seqüência, degustamos outro ícone: o Barolo Vigneto Arborina, safra 1999, do produtor Elio Altare.
Como diria um amigo meu, “ô dilícia”.
O vinho começou impressionando pelo cheiro – ou, como diriam os especialistas, pelo “nariz”. Os aromas eram muito complexos, uma mistura de cogumelos e trufas com cheiros que lembravam couro e especiarias mais fortes. Na hora de tomar, um show. Desceu redondo, com muita estrutura e delicadeza.
Após os piemonteses, fomos passear por outras regiões da Itália. Tomamos dois vinhos fantásticos, o La Palazzola Merlot safra 1999, da região da Úmbria, e o Amarone Recioto della Valpolicella, safra 1990, do produtor Bertani, um dos mais tradicionais da região do Vêneto.
O primeiro chamou a atenção por ser muito encorpado e estar no ponto para tomar. Muito gostoso, combina bem com pratos mais fortes, e ainda preserva um aroma frutado, apesar de ser um jovem senhor. Já o Amarone é aquela coisa: sempre é bom. Eu, pelo menos, nunca tomei um Amarone ruim… Amarones são produzidos de uma forma peculiar: eles são feitos com a uva quase já passada. A idéia é fazer a uva se desidratar para concentrar mais o açúcar da fruta. Quando ela está bem docinha, o enólogo vai lá e começa a transformá-la em vinho. Por isso, os Amarones são sempre muito pesados na boca, encorpados e cheios de personalidade. Os melhores unem essa força a uma certa elegância. Foi o caso desse Bertani.
A noite estava quase terminando, mas eis que…
… o Sylvio, ainda com roupa de chef, mandou chamar a Valquíria Pereira, a talentosa sommeliére do Varanda, para escolher mais uma coisinha.
Para a nossa tristeza, chegou a mesa o vinho que, na minha opinião, foi o melhor da noite: um Barbaresco 2000 de Angelo Gaja.

O Sylvio caprichou nessa. O ano 2000 foi considerado um dos melhores da história do Piemonte. E, para completar, o Gaja é considerado um dos melhores produtores mundiais de Barbaresco. O resultado só poderia ter sido sensacional.
Ainda tomamos um vinhozinho de sobremesa, uma grappa e jogamos muita conversa fora. No fim das contas, a degustação produziu o seguinte resultado:

Muitas taças vazias. E pessoas muito, mas muito felizes.